Os Morais sempre estiveram no alto clero da política paraibana nas últimas décadas, passando pelo PFL, Democratas e União Brasil. Basta ver quantas vezes estiveram compondo espaços nas chapas majoritárias das últimas eleições estaduais na Paraíba.
Algumas vezes, inclusive, instados ao cargo de personagem principal, como Efraim Morais, que foi cogitado como candidato ao governo em 2006 em meio a uma crise de imagem do então governador Cássio Cunha Lima, sobre o qual aliados discutiam substituição.
Desta feita, e de forma mais concreta, chegou a vez do filho do ex-senador, o senador Efraim Filho, que saiu da eleição de 2022 com moral para brigar com os grandes, pronto para encarar uma disputa ao governo do Estado contra duas candidaturas que já partem de uma estrutura montada, Lucas Ribeiro pelo governo do Estado. Cícero Lucena pela prefeitura de João Pessoa.
Para não ficar sem time, como se sabe, Efraim antecipou movimento fechando apoio com o bolsonarismo, recebendo o PL como base para lançamento da candidatura.
Até aí tudo bem. O pra frente é que suscita reflexões. Ao que parece, do ponto de vista de discussão política, conteúdos na mídia e manifestações de rua, Efraim está mais para espectador de uma disputa que se polariza entre Lucas e Cícero do que jogador com direito a dar as cartas.
Isto porque parece não vestir a fantasia completa de bolsonarista que o levaria a “fazer barulho” e juntar gente mesmo sem possuir as estruturas que Lucas e Cícero tem. Porque seja aqui na Paraíba ou no Japão todo candidato da “extrema direita” tem espaço na mídia, nas rodas de conversa e até em manifestações populares, mesmo sem prefeito algum, e com apenas um partido e um perfil no instagram. Ou seja, “junta gente” apenas passando o dia inteiro falando em “Lula ladrão”, “Lei Rounet”, “Anistia” e chamando todo mundo de comunista.
Mas não é o caso de Efraim, apesar de ter posturas bem à direita. Ele é mais sofisticado do que isso. E aí fica um tanto quanto no meio do caminho. Nem tem o aparato político, à exceção do silêncio do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, que resiste em apoio a Cícero. Nem veste a roupa de um “bolsonarismo” que o colocaria “gratuitamente” no circuito. Por isso, por ora, as atenções da pré-campanha na Paraíba tendem a focar nos movimentos do Governo e de João Pessoa.
Este é o diagnóstico. E, claro, que parece óbvio que o senador terá o voto do eleitor bolsonarista mesmo se não sair de casa desde que este público fique sem opção tendo Lucas e Cícero votando no presidente Lula. Basta acompanhar as pesquisas em que o senador já pontua mesmo sem fazer grandes movimentos.
As causas para este comportamento, além de Efraim ser um quadro mais qualificado do que os personagens robóticos que o bolsonarismo produziu, podem estar no fato dele ter a estratégia de receber o apoio do voto mais à direita nos grandes centros, mas não misturar o tema no interior da Paraíba, onde pode fazer política sem o peso de ser rejeitado pelo eleitor de Lula, que é majoritário. Ou, e também, pelo fato de não querer comprometer a disputa que tem hoje pelo comando da federação, que ainda discute se vai de Bolsonaro, de candidatura próprio ou até de Lula.
Por uma forma ou de outra, há um dilema colocado na frente de Efraim Filho, que poderá ser um nome bem disputado entre as duas forças que se colocam na disputa pelo governo. Mas que, por ora, ainda não conseguiu definir bem um lugar ao sol que o fizesse sonhar com a sombra que um primeiro ou segundo lugar proporcionam.