Fazer oposição é uma arte. E a primeira lição é não exercê-la com raiva. Porque, como disse Dom Corleone, no Poderoso Chefão, ela atrapalha o raciocínio. A segunda lição é saber atirar em pontos cujas balas não retornem do lugar onde saíram.
O ex-prefeito Cícero Lucena, que estava há bem pouco tempo na base governista, parece que perdeu a mão no exercício oposicionista, e anda desrespeitando ambas. Revelando certa raiva, tem sido contrário somente a temas que tem potencial de serem usados em favor do governo. E não contra.
Primeiro, a Ponte do Futuro, uma das obras mais esperadas e de maior potencial eleitoral para Lucas Ribeiro. Bater nela é como bater em mãe. Vai ter que passar a campanha inteira se justificando. E dizendo que é a favor de uma obra sobre a qual declarou que não era prioridade.
Para pular o assunto, correu para bater na PPP da Cagepa sobre saneamento básico em vários municípios, ficando contra, portanto, o esgotamento em cidades que, em pleno século 21, vivem de contar as moscas sobre suas fezes. Se o governo souber explorar isso, mela o discurso oposicionista.
O mote melhor para oposição seria questionar como deixaram a Paraíba por tantos anos com vários municípios sem esgotamento. Ou seja, bater no problema. E não na solução.
Agora, a crítica é em cima dos quatro bilhões de reais que o governo João Azevedo deixou de um ano para o outro para honrar com compromissos financeiros. Ou seja, tá batendo no equilíbrio fiscal. Num país que, a começar pelo governo federal, as contas da maioria das gestões públicas estão no vermelho, entrando e saindo dos anos sem dinheiro para pagar as contas que acumula.
E olhe que o Estado está cheio de problemas que podem ser atacados. E desafios que a oposição pode sugerir solução. Mas Cícero tem insistido em só ir para cima daquilo que é bom. Ser contra aquilo que vai estar na propaganda eleitoral de Lucas Ribeiro como fator positivo. Algo que Cícero deveria lutar para esconder. E não dar publicidade.
Se continuar assim, o governador nem vai precisar de Guia Eleitoral. Deixará que a oposição fale por ele.