Presidente do PL paraibano, o senador Efraim Filho é pré-candidato ao governo da Paraíba fincando os pilares da sua candidatura no eleitorado de Direita, e, mais precisamente, no eleitorado “bolsonarista”, que virou sinônimo de direita radical, daquela que não gosta de Papai Noel vermelho e adora as maldades que Trump faz. Especialmente contra o Brasil. Mas não é de hoje que Efraim dá sinais que sua afinidade com as pautas conservadoras tem limites.
Já havia demonstrado isso quando criticou o tarifaço dos EUA contra o Brasil enquanto o ex-presidente Bolsonaro e seus filhos se derretiam de amor pelo presidente norte-americano, como pets de uma bruxa da Disney. Nesta segunda, 11, durante entrevista ao Arapuan Verdade, da Arapuan FM, o senador confirmou que não esperem dele abraçar tudo o que é pauta tresloucada.
Perguntado sobre a “polêmica do detergente Ype”, cuja produção foi suspensa por determinação da Anvisa, sob protesto de bolsonaristas que acusam o governo Lula de perseguir uma marca cujos donos votam em Bolsonaro, Efraim disse sem remorso algum: “Não estou sabendo disso”. E foi falar de Paraíba, dos problemas do estado, dos erros do governo, enquanto deputados bolsonaristas almoçavam bebendo um copo de Ype sabor laranja, e a ex-primeira-dama Michelle fazia propaganda nas redes sociais da marca.
Assim, querem cassar o ministro Alexandre de Moraes podem contar com Efraim, que é contra o aborto e acha que Neymar deve ir para Copa do Mundo. Mas não esperem que ele vá perder tempo fazendo fogueira de sandália havaina, batendo palma para Trump e tomando uma dose de Ype, entre um comício e outro.
Focado realmente em disputar com competividade o governo da Paraíba, um estado com forte predominância de eleitorado de Lula, Efraim Filho quer debater governo estadual. Quer debater segurança pública, abastecimento de água, redução da carga tributária. Chegou até a anunciar que votará a favor do fim da escala 6 por 1, apesar de defender compensação para o setor produtivo.
E se os loucos bebedores de detergentes e ficarem com raiva dele? Não terão outra opção de voto. E vão ter que o engolir o Efraim mais moderado numa colherada de sabão em pó.
E o senador terá acertado nesta posição porque permite o diálogo com uma parte do eleitorado que não está submerso pela idiotice exagerada desta polarização. E procura um candidato ao governo que tenha condições de debater o estado, e não deixe dúvidas de que, mentalmente falando, está apto para disputar uma eleição e, se conseguir a vitória, governar um estado de mais de quatro milhões de pessoas.
Simplesmente porque sabe que detergente se usa para lavar prato. Seja da marca que ele for.