Convenhamos. Intimamente, no silêncio de seus travesseiros, todos os governadores de direita que sonham com a cadeira de presidente da República vibram com o fato de Bolsonaro estar, de fato, fora da jogada para 2026. Convenhamos. Todo líder político da direita – com o mínimo de juízo no lugar -, quando não estão encenado seus personagens, sabem que o ex-presidente está encrencado de uma forma tal que não há como sair dessa. Convenhamos. Quem com o mínimo da faculdade mental funcionando considera que uma anistia ainda tem condições de passar? Não passou com Bolsonaro solto. Imagine preso. E, mesmo se passar a versão que reduz as penas, não tem efeito prático imediato para Bolsonaro, que continuará fora da jogada. No entanto, todas estas pautas e teses servem para uma coisa: gerar dividendos eleitorais para quem as defende.
Por isso, o entusiasmo. A firmeza de posições. As notas nas redes sociais. Os gritos em cima dos palanques. Uma solidariedade egocêntrica. Que serve mais para si do que par ao objeto “defendido”. E que, como já dissemos, em alguns casos, prejudica mais Bolsonaro do que ajuda. De fato, candidatos a deputados estaduais e federais, ao Senado e até ao governo dos estados, bem como presidenciáveis, vão se refastelar na defesa de um Bolsonaro que quanto mais se mexe mais se afunda num roteiro de cumprimento de pena.
Candidatos da direita, especialmente os que só tem Bolsonaro como muleta, se lambendo com a circunstância. Se perguntasse quem trocaria de lugar com o ex-presidente, não sobraria um. Mas, do lado de cá das grades, é um empenho digno de um mosqueteiro.
Independentemente das discussões de mérito, o fato é que não há saída para Bolsonaro agora. Ele mantém sim potencial de liderança política a indicar e sustentar uma candidatura presidenciável.
Mas aí é que está o nó na direita de hoje. O lado que se solidariza agora, mas que sonha é com a coroa que o ex-presidente já usou, está disposto a abençoar e se ajoelhar ao nome – da família – que Bolsonaro vai apontar ? Ou, Bolsonaro está disposto a abençoar o nome de fora da família que a turma da Centro Direita vai apontar?
Se for para não para as duas questões, teremos uma direita dividida, dispersa e, quiçá, se atacando mutuamente, como temos visto, para alegria e até “solidariedade” por parte de Lula.