O que o Brasil espera de Lula e o que Lula espera do Brasil

Impossível captar e produzir algo que seja lido com imparcialidade diante da soltura do ex-presidente Lula.

No geral, as opiniões são reflexos da divisão política acentuada na eleição de 2018.

Pulando a fogueira desse antagonismo, que não consegue produzir mais do que ataques virulentos e memes divertidos de ambos os lados, falemos para uma (pequena?) parcela do país que, alheia às paixões pessoais, quer é que as coisas deem certo no Brasil agora, seja movido pelo atual governo seja movido pela esperança devotada a Lula.

Após a aprovação da Reforma da Previdência, e o encaminhamento de outras pautas “responsáveis”, se começa a experimentar no Brasil uma leve, levíssima, sensação de crença numa melhoria econômica.

Por ora, de concreto, nada em que se possa “pegar” e sentir nos dedos das mãos. Mas, no geral, o sentimento é de antessala da retomada, com perspectivas de avanço desde que a equipe econômica mantivesse o mínimo de equilíbrio ecesrabilidade no agir, e o presidente economizasse em suas tuitadas e derrapadas verbais. Pois bem. A chegada de Lula nesta antessala muda tudo, supondo arrumação dos móveis.

Ora, Lula foi “tirado” do processo para “acalmar” a eleição. O próprio presidente Boldonaro admitiu isso num discurso feito após a soltura do petista, num absurdo flagrante de intenção política na prisão. Bolsonaro disse com todas as letras que se não fosse por Moro ele não “estaria aqui”. O ministro da Justiça, se pudesse, deveria demitir Bolsonaro por produzir tanto contra si.

Mas o fato é que Lula volta, apesar de todos os outros obstáculos jurídicos, à cena política, e com gana de sindicalista da década de 80, com espírito de candidato. Suas declarações após saída da Polícia Federal, em Curitiba, já foram neste sentido. Seria ingênuo imaginar que Lula dará trégua ao atual governo. Ele mesmo não teve essa trégua. Vai pra cima, inevitavelmente. E aquela (pequena?) parcela do Brasil que espera que as coisas melhorem independentemente do lado volta ao cenário de incertezas.

Principalmente porque sabe que, no Brasil, a imbecilidade da briga política é crônica e parece não ter cura. Como, por exemplo, ver bancadas de partidos anti Lula dizendo que vão obstruir as votações no Congresso até que se vote a PEC que retomaria a prisão em segunda instância. Burrice declarada! É exatamente o que o atual Governo não precisa. Instabilidade política no Congresso, atraso de votação de matérias importantes para o destravamento da pauta política. Um tiro no pé. Fruto da cegueira do ódio político.

Que pode acontecer do outro lado também.

Lula teria sim condições, mesmo fora do poder, de colocar parte do povo brasileiro a resgatar confiança na volta do crescimento do Brasil. Mas não fará isso para agora. E sim para um futuro pós 2022. Porque não vai dar, em se tratando de estratégia polífica, um tiro no pé.

Apesar de fazer críticas à política do atual governo e traçar um panorama pouco alentador da atualidade, a maior probabilidade é que, por ora, o ex-presidente petista não fará nada para ajudar a melhorar. Sabe que a recuperação da estabilidade econômica catapultaria a reeleição de Bolsonaro e afundaria as esperanças esquerdistas de retorno ao poder.

Portanto, mesmo sonhadora e romântica, a cena de Lula, aposentado da política, visitando o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional dizendo “contem comigo para ajudar a soerguer este Brasil” está fora de cogitação. Aos 74 anos, Lula parece estar respeitando a Reforma da Previdência. Quer trabalhar na política até o último dia de sua vida. E a tarefa de hoje é de sacudir o governo Bolsonaro, o qual ele considera o grande mal atual do Brasil. Vejamos se combaterá o vírus sem matar os pacientes.

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