O primeiro Ibope e as várias incertezas

Para quem estava querendo um pouco mais de clareza sobre a disputa pela prefeitura de João Pessoa e
esperava que uma pesquisa de opinião pública pudesse pôr fim às dúvidas, a pesquisa Ibope
, divulgada nesta segunda, dia 5, a primeira da campanha, não clareou muito.

Isso não significa dizer que o “Ibope errou”. Não! De forma alguma. Pesquisas – afora as de intenção de natureza duvidosa – não erram no início. Elas erram no final. Um ou dois dias do domingo da eleição, quando já tem condições de apontar o verdadeiro resultado das urnas, e eventualmente não predizem. Antes disso, elas apontam
o momento.

Assim, bater “agora” no Ibope, que tem sim um histórico de equívocos na Paraíba “na reta final” das campanhas, é o mesmo que cobrar de uma criança de um ano que acerte uma conta de multiplicar que ela só será capaz de fazer aos dez anos de idade.

As incertezas, as quais nos referimos, são fruto de um quadro atual estatisticamente “emboloado”.

Primeiro porque pela margem de erro, quatro ponto para mais ou para menos, os cinco primeiros colocados aparecem tão misturados que é impossível definir posições exatas. Pelo Ibope, Ruy Carneiro (7%) pode estar à frente de
Walber Virgulino (10%). Este pode estar à frente de Ricardo Coutinho (12%), que poderia estar à frente de
Nilvan Ferreira (15%), que pode estar à frente de Cícero Lucena (18%). A rigor, neste caso, cada um está tecnicamente empatado com o nome à frente ou atrás de si.

Além disso, a análise do Ibope sobre esta corrida maluca que se configurou a disputa pela prefeitura de João Pessoa
e seus 14 candidatos em ação torna-se ainda mais complexa porque não se tem um parâmetro anterior ao início da campanha, a fim de que possamos apontar que começou numa crescente ou numa decrescente.

Das deduções que nos sobram, após a ausência de parâmetros anteriores e ainda a amplitudade da margem de erro, são as que Nilvan Ferreira (MDB) e Walber Virgulino (Patriota) foram os primeiros a romperem à “bolha” dos novatos.
E isso deve ser comemorado por ambos com festa.

No caso de Nilvan, a favor dele, ainda se apresentou uma rejeição baixa em relação a Cícero Lucena e Ricardo
Coutinho, os dois “veteranos” da disputa, ambos com recall eleitoral, porém com teto.

É óbvio que essa rejeição de Nilvan aumentará de acordo com o afunilamento das posições. Mantendo-se na frente,
os eleitores do seu concorrente direto, certamente, passarão a dizer que não votarão de jeito algum no comunicador.

O fato é que se Nilvan sentiu que está subindo desde que começou a campanha deverá manter seu ritmo de se colocar menos como apresentador raivoso e mais como candidato a prefeito polido e de gestos amenos.

Mas se sentir que está em queda, talvez precise retomar a postura ofensiva e denuncista que adotou na pré campanha,
para ao menos rivalizar com os “dois veteranos” e assegurar uma das vagas no segundo turno.

Para o ex-senador Cícero Lucena, estar figuramente na frente na primeira pesquisa divulgada é algo, obviamente, estimulante. Mas, atente-se, precisa saber se ele tem crescido ou não desde setembro. E isso somente pesquisas
anteriores é que poderiam apontar. Porque com a rejeição que apresentou, Cícero vai ter que lutar para manter-se neste patamar de conquistar um pouco mais que 20% e garantir sua vaga no segundo turno.

No caso do ex-governador Ricardo Coutinho, a comparação sobre sua arrancada com base em pesquisas anteriores também ajudaria mais. Porém, de cara, sem precisar de comparação, o que apareceu como dificultador foi uma rejeição de 43%, a maior entre os candidatos.

Ricardo, que já desfrutou de altos índices de aprovação enquanto prefeito da Capital, sabe, no entanto, que pode alcançar patamares maiores de votação na cidade onde começou a fazer política.
Ter o tempo de TV reduzido no Guia Eleitoral em razão da decisão judicial que tirou o PT de sua chapa atrapalha neste avanço.

Na cola de Ricardo, e procurando rivalizar com ele, de olho nos 43% dos eleitores que disseram não votar no ex-governador, aparece o delegado Walber Virgulino.

É uma estratégia inversa. Muito parecida com o antagonismo Bolsonaro versus PT de 2018.

Fazendo questão de posições mais extremistas, Walber joga muito mais no “sucesso” de seus adversários para ser catapultado como concorrente do que no próprio acerto.

Os candidatos Ruy Carneiro (PSDB), Edilma Freite (PV), Raoni Mendes (DEM), de posturas mais propositivas e amenas, tem o desafio de “aparecer” nesta corrida. Ou seja, de chamarem atenção para si diante de um cenário
tão, digamos assim, variado.

Só o tempo dirá se poderão, mesmo discretos, cair nas graças do silêncio pessoense.

Um comentário

  • Chico Oliveira

    LUIS TORRES MANDOU SEU VENENO.LARANJA NO IBOPE: A realidade cruel é essa pesquisa é o maior caô da tradição IBOPE/CANJIQUINHA. Mas essa lorota vai sucumbir à preço de sucata global e a realidade dos fatos é que o alvo é o mago. Os outros são só os outros.

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