Sinceramente, nunca compreendi direito a estratégia de parte do governo em tratar o vice-prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, da mesma forma que Cícero Lucena. Sempre disse que o melhor desde que o prefeito resolver correr por conta própria na disputa pelo governo do Estado era ter ressaltado a aliança com o vice-prefeito socialista, colocando dúvidas de que, em abril, quando assumisse, ficaria do lado de Cícero.
Seria algo mais no campo do “nós confiamos em Léo. Ele é leal. Na hora certa vai provar isso”. Pronto, imagine todo o PSB fazendo isso em favor do vice-prefeito? Imagine o governador João Azevedo dizendo: “Leo sabe o que combinamos para 2026. Em abril, ele revela”. Elogio no lugar de pancada. Confiança no lugar de suspeita. Defesa no lugar de ataque. Mesmo que fosse fingimento. No mínimo, faria Cícero ficar com uma pulga atrás da orelha. Preferiam a raiva antecipada. Isso até ajuda a Leo fazer escolhas sem muito problema de consciência.
O fato é que a pancadaria sobre o vice-prefeito pode gerar reflexos na Assembleia Legislativa, visto que o deputado estadual Hervázio Bezerra, pai do vice-prefeito está mexendo na sua caixa de ferramentas para fazer oposição severa ao governo. E dar trabalho como só ele sabe dar à base governista. Já foi até aconselhado a não esquentar o caldeirão. Mas quando mexe no sangue é difícil manter-se indiferente.