João já tem um preferido, só não o ajuda a criar asas

Nunca gostei de criar passarinho., apesar de amar pássaros. Na verdade, sempre considerei uma maldade aprisiona-los numa gaiola. E um paradoxo. De tanto gostar, você prende o bicho perto de você, para tê-lo só pra si e alimentar sua admiração. E não deixa que ele cumpra sua missão na terra. Que é voar, mesmo diante de tantos riscos.


Não sei o governador João Azevedo gosta de passarinho. Mas é notável que ele gosta do vice-governador Lucas Ribeiro. E, politicamente falando, o mantém numa gaiola, sem permitir que ele crie asas e chegue em 2026 voando alto.

Tradução: deixa Lucas amarrado sem condição de fazer uma pré-campanha “agressiva”.

E ele faz isso não por sadismo puro e simples. Mas porque alimenta a tese de “encurtamento de governo” caso oficialize antecipadamente que será candidato ao Senado e que Lucas será seu candidato a sucessão. Em parte pode ter razão na questão de perda de valor caso aja dessa forma.

Mas ao agir assim não ajuda em nada ao seu “preferido”, já que Lucas não consegue colocar plenamente as asas pra fora evitando atropelar o governador assentado na cadeira do governador. Seria dividir o governo em dois. Resultado: todos os demais integrantes do grupo, pretensos candidatos ao governo, podem correr solto, a exemplo de Cícero Lucena e de Adriano Galdino, e Lucas limitado no ato de pedir voto antecipadamente.

Aí, quando for a hora de medir quem tem mais altitude eleitoral, o vice-governador estará olhando a todos de dentro de uma gaiola.

Sem romantismo, a escolha de João por Lucas não é por amor pura e simplesmente. Baseia-se no fato que para a candidatura ao Senado o caminho mais curto é ter a confiança matemática nos Ribeiro. Por isso, a forma com que João tem tratado o vice. E tratou ontem no congresso do PSB nesta segunda. Querendo mostrar aos seus que se acostumem com essa possibilidade.

E o irônico disso tudo é que com o governo bem avaliado a capacidade de eventual reeleição de Lucas estaria num patamar de alta competitividade. E calma ! Antes que por ódio ou alguma rejeição pessoal alguém diga que Lucas não tem chance alguma e é um candidato fraco sugiro analisar a campanha de 2002. Quando Roberto Paulino, um vice completamente inexpressivo, foi alçado à condição de governador candidato à reeleição, sem saber terminar uma frase, ruim de debate e quase derrubou o então ex-prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, no auge de sua performance política.

Lucas teria bem mais chances que Paulino. Mas está dentro da gaiola montada por João. Que não parece ter vontade de abrir a portinha antes de abril de 2026.

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