As duas maiores cidades da Paraíba disputam a atenção dos paraibanos com temas que, apesar das diferenças, apresentam roteiros parecidos. Em João Pessoa, esgoto sendo derramado nas praias. Em Campina Grande, milhares de peixes mortos e amontados nas margens do Açude Velho.
Nos dois casos, as prefeituras de uma e de outra cidade correram para incluir a Cagepa como responsável pelo problema, como a reduzir suas próprias responsabilidades. Seja por extravasamento da rede de esgoto, seja por ligações equivocadas na rede, a culpa é sempre da Cagepa, no discurso das gestões municipais.
A Companhia não vive lá de seus melhores momento em questão de abastecimento de água, inclusive. Mas as gestões municipais cometem um equívoco enorme, apesar de seguirem o manual do ‘eterno inocente’. Elas ignoram o fato de que a responsabilidade sobre os dois casos é completamente delas e se há, algum órgão ou outra fonte causadora do problema, as gestões tinham que estar prontas para fazer denúncias e cobranças antes, literalmente, da “merda” aparecer.
Ou seja, mesmo que fosse, numa condição hipotética, condição exclusiva da Cagepa o crime contra as praias de João Pessoa e contra o Açude Velho de Campina, caberia as duas prefeituras estarem em constante monitoramento das galerias pluviais, no caso da capital, do nível da qualidade da água do Açude Velho, no caso de Campina, para identificar potenciais problemas e, antes do ocorrido, ir à mídia apontar os “tais verdadeiros responsáveis”.
Mas não. Se há uma culpa que está fora da alçada das duas administrações – seja da Cagepa, de vândalos, ou de torcedores da Argentina -, cabe as gestões municipais a identificação prévia desses problemas, com base em monitoramentos sérios, e a posterior denúncia e cobrança. Pois, neste dois casos, tem uma responsabilidade que recai exclusivamente sobre a administração responsável pelo serviço em discussão: a negligência. Sim, a omissão no monitoramento. Essa, pode dar merda no meio da canela, mas alguém tem que dizer, ela é exclusiva da prefeitura de João Pessoa e da prefeitura de Campina Grande. Porque se uma coisa está sob minha responsabilidade tenho que cuidar ao máximo para que, fatores internos ou externos, não deixem que ela cause problemas.
Aliás, foi isso o que dissemos quando a Cagepa foi exclusivamente culpada pelo estouro de um reservatório em Campina Grande. Não foi ?
Na verdade, nos dois casos, é preciso ter grandeza – e responsabilidade institucional – para abraçar o tema, mesmo que o cheiro não esteja tão legal, e resolvê-lo de verdade, até para poder dizer lá frente: “Tá vendo, resolvemos, apesar da Cagepa…”
O que não dá é para esconder merda e peixe morto embaixo da mesa do gabinete municipal. Porque catinga não se esconde com discurso.