Não quero ser alarmista, mas a plenária do Orçamento Democrático em João Pessoa, marcada para o próximo dia 22, tem tudo para repetir o Campestre, um dos episódios mais marcantes da história política recente da Paraíba.
Mesmo quem não estava vivo nesta época já ouviu falar do evento de Campina Grande que marcou o rompimento entre Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão, dois aliados que acabaram por força das eleições de 1998 rachando a Paraíba ao meio, numa divisão que demarcou o mapa político do estado por anos.
Os tempos são outros. Os personagens também. Mas no roteiro o mesmo cenário causador de tantos males e divisões que é o desejo de forças políticas aliadas pela mesma coisa. Algo que já vem gerando desconforto e até troca de farpas escondidas e públicas. Igual lá atrás, como se fossem prévias do Campestre.
Apesar de estarem no mesmo campo político (ainda), de um lado o governador João Azevedo (PSB) e os Ribeiro, que controlam o PP e esperam apoio à candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro à reeleição. Do outro, o prefeito Cícero Lucena, também do PP (ainda), que não compreende porque não será o escolhido da base para disputar o governo do Estado em 2026.
A crônica política local já deu todas as pistas.
Cícero já entendeu que João, Lucas e Hugo Motta, comandante do Republicanos, já definiram o desenho da chapa, e nela o prefeito de João Pessoa só cabe indicando o nome do candidato a vice-governador. Cícero, que tem uma lista de argumentos para se tornar cabeça de chapa, portanto, já sabe que só poderá manter sua “cavalgada” eleitoral no campo fora da base governista. Algo que pode ser traduzido como “campo da oposição”.
Por isso que chamou tanta atenção sua despretensiosa ida (será?) ao lançamento do filme de Ronaldo Cunha Lima, em Campina Grande, enquanto o vice-governador Lucas Ribeiro, no mesmo instante, e na mesma cidade, conduzia a plenária do Orçamento Democrático.
De tanto disse me disse, há informações de que Cícero já não encontrou clima para ir ao OD de Campina, sendo obrigado – ou preferindo – aparecer com os Cunha Lima.
Está claro que Cícero não quer ser visto como oposicionista. Ao menos, agora. Está claro que o trio João – Ribeiros – Hugo quer jogar o prefeito lá, caso ele não se submeta ao que está posto. Por uma coisa ou outra, já não importa a razão, na última sexta, o que passou, passou.
A atenção se volta agora para o Orçamento Democrático de João Pessoa, e os dez dias a contar de hoje, 11, que nos separam até lá.
Porque na edição de João Pessoa não tem como Cícero ficar de fora. Mais do que isso, diferentemente, das outras edições, ele terá direito a fala. Aí nós teremos no mesmo ambiente um evento promovido pelo governo, com as falas de João Azevedo e Lucas Ribeiro, diante uma torcida da casa do prefeito.
O que isso pode dar impossível prever. Mas o clima de tensão já respiramos.
Ou esse tempo que antecede o OD de João Pessoa servirá para uma pacificação, muito pouco provável, ou para o rompimento geral, com reflexos e consequência inimagináveis para ambos os lados, política e administrativamente falando. O que gera tema para análises futuras.
Enquanto isso, fogos de artifício acompanham tudo em polvorosa…