Quando começou sua caminhada rumo à candidatura ao governo do Estado, o prefeito Cícero Lucena declarou que iria num “cavalo mesmo sem sela”, numa clara referência a possibilidade de não ser o nome escolhido por todo o grupo para representar a situação na disputa.
O cavalo selado, ao contrário, numa tradução rápida, representaria o apoio da base governista a sua candidatura, algo que Cícero ainda considera que possa acontecer, especialmente se João Azevedo não deixar o governo para disputar o Senado.
Mas essa perspectiva vai ficando cada vez mais remota ante às investidas mais recentes do governador pedindo votos de senador aos prefeitos com quem tem se reunido.
Vendo, portanto, a dificuldade de selar esse projeto, Cícero já deu sinais que vai trocar a analogia quixotesca por atitudes mais concretas. E, neste sentido, se coloca num workshop sobre legendas partidárias, visto que um cavalo pode andar sem sela, mas, no Brasil, ninguém pode ser candidato se não estiver filiado a um partido que o referende na convenção.
A visita de Marconi Perillo, presidente do PSDB nacional, a Cícero revela que o prefeito quer botar primeiro a sela em si mesmo, somente para depois armar o cavalo que vai usar. Ao soltar a notícia do convite sem dizer se aceitará ou não, se vai pensar ou não, Cícero deixa claro que está na pista, embora não queira radicalizar agora com desfiliações do PP.
Já havia sido assediado pelo PDT pela boca de Carlos Lupi, herdeiro de Brizola e presidente nacional do partido. Há informações de que Baleia Rossi, do MDB, também já fez o mesmo, numa tentativa, inclusive, de encontrar um espaço para encaixar o senador Veneziano Vital do Rego (MDB), candidato à reeleição.
Aliados de Cícero dizem, inclusive, que os convites não param por aí. E que, muito em breve, Cícero estará recebendo o convite de um “grande partido no Brasil”.
Que já viria com sela e tudo mais. Dando a Cícero ainda mais tesão de ser aquilo que nem a chuva e o frio estão conseguindo dissuadi-lo.