Como entrar grande e sair pequeno ou quando a emenda é pior que o erro

A vida é arte do desencontro. E o desencontro é privilégio de quem deseja se encontrar. Mas não foi o que pareceu acontecer entre o deputado Gervásio Maia e o governador João Azevedo, ambos do PSB.

Depois de aparecer em fotografias com deputados da oposição, o governador disse com muita naturalidade, ou não, que “conseguiu falar com todos menos com Gervásio” durante seu périplo por Brasília esta semana atrás de fechar compromissos da bancada federal em favor de emendas para a Paraíba.

Inundado por manchetes apontando-o como o único a ignorar o governador, mesmo sob a obrigação de ser o único a não ignorar, por razões óbvias, Gervasinho teve que se defender e saiu com a resposta de que não sabia que o governador queria falar com ele ou que iria em seu gabinete.

Como? Até os deputados mais indiferentes ou politicamente incompatíveis com o governador sabiam que ele estava em Brasília de gabinete em gabinete.

Se estava prestes a sair de Brasília, na semana em que o governador estava discutindo e pedindo prioridade em emendas individuais, o único deputado federal do PSB da Paraíba em toda a Câmara Federal deveria se colocar à disposição e só deixar a cidade após isso.

Fora dessa realidade, Gervásio deveria criar uma teoria a fim de se justificar melhor: João teria, então, articulado para não se encontrar com ele para depois jogar na imprensa essa informação e deixa-lo em situação constrangedora. Se pensou isso, Gervásio não verbalizou.

O fato é que ficou a resposta apenas de “não sabia que ele queria falar comigo”. Essa emenda não pega. Ressalte-se que na reunião com toda a bancada há alguma semanas, Gervásio entrou mudo e saiu calado, preferindo não usar do seu direito de palavra, numa reunião que, além de toda a bancada, estavam presentes o governador, os prefeitos Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, além de outros dirigentes de instituições na Paraíba.

Mas para não ficar no disse me disse do quem ligou ou quem não ligou, analisemos o efeito prático.

O governador do Estado estava em Brasília atrás de emplacar emendas para Paraíba. Deputados da oposição se dispuseram a colocar as diferenças políticas de lado e atender o governador em respeito à Paraíba.

O deputado federal Julian Lemos (PSL), símbolo maior da diferença política com o governador socialista, foi mais longe. Além de ter audiência com o governador, se comprometeu a pegar toda a sua emenda individual e destinar ao Governo do Estado para investimentos em Segurança Pública. Não tem como ser criticado com isso.

Outros deputados da oposição, a exemplo de Ruy Carneiro, Pedro Cunha Lima, Edna Henrique, se não fizeram tanto quanto Julian, ao menos se sentaram com o governador, ouviram suas propostas, discutiram, enfim, tiveram, ao final, suas posturas elogiadas por João.

Menos Gervásio. Que no lugar de estar hoje dizendo para onde vão suas emendas, está se justificando porque não esteve com o governador.

Ou seja, mesmo que fosse apenas para tirar foto e cumprir um roteiro de marketing, o deputado socialista deveria ter encontrado um jeito de ter também participado das discussões com o governador do seu Estado. E do seu partido.

Até porque na mesma semana conseguiu aparecer bem como um dos articuladores da CPI para apurar vazamento de óleo nas praias do Nordeste. Um tema que também fez parte da pauta do governador em sua semana na Capital Federal.

Ao evitar tal encontro, Gervásio acentua o fosso da relação interna dentro do PSB da Paraíba. E, pior de tudo, foi exposto a uma postura política inferior aos que os seus colegas adotaram.

Não tem como dizer que ficou bem na foto. Por mais razão que considere ter.

Não sabemos se tem emenda para tal equívoco.

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