Uma pausa para o Corona

Abaixo, alguns textos e notas sobre o tema que tem feito o mundo inteiro perceber que somos pequeninos e iguais.

 

 

Quem subirá na arca?

Um assunto sobre o qual sete bilhões de pessoas se expressam e escrevem sobre ele não me estimula a produzir. Não adianta ser repetitivo. E, portanto, entediante. O que menos se deseja num mundo em quarentena.
Ao ver meu isolamento dentro de casa, minha filha mais nova perguntou curiosa: “Mamãe, papai vai morrer?”. Foi aí, no entanto, que eu percebi que não há como se manter indiferente ao tema.
Fico imaginando o mundo todo, acuado diante da pandemia do Coronavírus, se fazendo essa pergunta. Crianças, adultos, idosos, casados, solteiros, pobres, ricos, religiosos, ateus, enfim, o mundo inteiro, se perguntando “Vamos morrer?”
Compartilho, então, o primeiro sinal que veio em minha cabeça quando tudo isso começou a ficar mais real, antes mesmo da pergunta da minha filha.
A conversão é fruto de uma vivência pessoal com Deus. De um acontecimento com Deus. Uma graça que quando acontece a vida se transforma, dividindo-se entre o antes (a vida velha) e o depois (a Vida Nova).
Mas isso acontece de pessoas para pessoa, em momentos diferentes, e, claro, numa escala bem menor que uma pandemia, por exemplo.
E se o Coronavírus for este acontecimento de conversão mundial? Sim, é esta a minha pergunta. E nem fui procurar nem espero resposta de teóricos. É uma pergunta para ser respondida em oração. Espiritualmente.
Estamos na Quaresma, que supõe refletir exatamente os quarenta dias de Jesus no deserto, livrando-se da tentação e vencendo o Mal. O mesmo Mal que venceu Adão uma vez.
Para Igreja Católica, é sim o momento mais propício à conversão.
Mas tem uma pergunta que pode incomodar mais ainda. E se o Coronavírus for o novo dilúvio, quem poderá subir na Arca? Ou seja, para quem crer nas coisas do alto, num plano que ignora essa vida terrena, no Paraíso, daria para dizer: “Pode acabar o mundo que eu vou pro céu”? Daria?
Pergunta ainda mais difícil. Que também não serve para teóricos.
Reflitamos enquanto temos tempo de sobra para pensar. E, especialmente, neste raro momento em que a terra não está parecendo um lugar bom para ser viver, inspirando-nos a crer que há sim uma vida melhor do que essa terrena é para lá que todos gostariam de ir.

 

Seja grato

Essa é o nosso principal desafio diário diante da pendemia do Corona. Se você está isolado em casa com sua família, pense naqueles que estão com um parente no hospital contaminado com a doença. Sendo obrigado a ficar isolado, longe da família. Pense em que está em casa, mas não pode se aproximar de filhos, esposa, marido, dos pais, porque está se tratando. Assim, estar em casa, podendo desenvolver mil atividades com sua família é motivo de gratidão. Tem que gente que está sendo obrigada a sair de casa para trabalhar, para se expor ao Corona. Falo dos profissionais da saúde, dos profissionais da segurança pública, dos atendentes de farmácia, supermercados, padarias, motoristas e motoboys. (A todos nossos aplausos). Seja grato.

 

Bertrand Russel e o dilema das múltiplas opções

Em seu livro a Arte da Felicidade, o filósofo Bertrand Russel reserva um capítulo específico para o tédio. Segundo ele, considerar o tédio um mal é uma causa de infelicidade das sociedades contemporâneas. De fato, nós vivemos alimentados pela tese de que temos que ter algo para fazer a cada segundo. Que quem para, cai. Fazemos nossos filhos praticar esportes, artes, línguas, brincar. Se encontramos algum jovem na rede olhando para cima temos logo a vontade perguntar “o que houve”. Nossa dinâmica, supõe fazer algo direto, a projetar o daqui a pouco, a ter algo para cumprir, um horário, um compromisso, trabalhar, produzir, beber, dançar. Loucura. O ideal é reeducação sobre isso. “Metade dos pecados cometidos pelos homens decorre do medo de se entediar”, diz Russel. Que completa: “Para levar uma vida feliz é imprescindível a capacidade de suportar algum tédio”.
Mas fazer nada é sinônimo de depressão, tristeza ou preguiça. Na verdade, o que deprime é a exigência da sociedade de que você tem que estar sempre fazendo algo.
Não fazer é, algumas vezes, a melhor forma de fazer alguma coisa boa.

 

Por falar nisso

Lá vai um dilema para os psicólogos responderem. De quarentena em casa, não é falta do que fazer que causa ansiedade. É a quantidade de opções de coisas e atividades que se pode desenvolver. E aí você não sabe a que faz. A pessoas quer ler um bom livro, quer assistir a um filme, estudar, trabalhar, teclar com a família, ficar nas redes sociais, brincar com os filhos, assistir TV, ouvir música, ajudar os outros, limpar a casa, rever álbuns, ligar para parente, gravar vídeos…ah!!!!! Como não enlouquecer e saber desfrutar uma a uma a seu tempo?
Eu, particularmente, estou tentando fazer listinhas.
Senhores estudiosas da mente humana, alguma dica?

 

Melhores entrevistas do Frente a Frente

E vou dar mais uma opção. A partir desta segunda, a TV Arapuan vai exibir as melhores entrevistas do Frente a Frente até que seja possível o mínimo de normalidade para voltarmos a gravar o programa. Então, fica ligado todas as segundas às 21h30 para rever ou assistir à entrevista que você perdeu por algum motivo.

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