Por causa de questões familiares, e completamente justificáveis, o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, resolveu ficar de fora da chapa de Efraim Filho (PL) ao governo da Paraíba, fazendo com que o senador se contente com a indicação do nome da esposa do Cabo Gilberto, um esforçado soldado do exército bolsonarista.
Ao blog, o prefeito disse claramente que a ausência de sua indicação na chapa de Efraim não muda em nada sua posição em apoiá-lo ao governo e, segundo ele, não mexe na sua disposição em fazê-lo. “Isso não diminui um centímetro a minha decisão, porque minha decisão nunca foi por conta de uma vaga na chapa”, declarou com todas as letras.
E, como quem já aplica a vacina, foi além, provocando quem achar o contrário: “Se alguém achava isso, vai ver que achou errado a partir do início da campanha”.
Uma declaração dessa é música para o ouvido do senador Efraim Filho. É óbvio que a presença da família, como é uma esposa, por exemplo, numa chapa, confere uma convicção de participação acima de qualquer suspeita.
Mas saindo a questão familiar permanece uma que é ainda mais intrínseca. A questão do ego. Sim, porque, mesmo sem a indicação de vice, optar por Efraim Filho numa disputa que todo o resto da família Cunha Lima optou por Cícero Lucena, inclusive com indicação do primogênito e Cássio, o empresário Diogo Cunha Lima, como candidato a vice, o contexto exige de Bruno que ele demonstre realmente quem tem força na Rainha da Borborema. Agora mais do que nunca.
No calçadão da Cardoso Vieira, de forma mais direta, se dirá: “Bruno não pode sair desmoralizado”.
De maneira mais sofisticada, como diria Balzac, o primeiro sucesso que devemos alcançar é dentro da própria família. Se perder para Cícero dentro de Campina, Bruno sairá da eleição com um atestado de que o fantasma da supremacia de Romero Rodrigues, além de Cássio e seus rebentos sobre o resto dos Cunha Lima, é real, de carne e osso.
Não bastasse a pré campanha da eleição de 2024 em que, bem diante dos olhos de Bruno, alguns parentes discutiam se não deveriam lançar Romero em vista a dificuldade que naquele momento o prefeito se encontrava para reeleição. Bruno só ganhou fôlego quando Romero e companhia decidiram ficar com ele.
O prefeito, portanto, tem realmente que cumprir a palavra de dedicação à campanha
de Efraim. Menos por causa do senador e mais por causa de si próprio.
Para mostrar que se consagrou liderança para além do aval dos Cunha Lima de cabelos pretos. E para engrossar o pescoço para as próximas eleições na Paraíba.
Se deixar Efraim passar vergonha em Campina em comparação a Cícero Luucena será tratado meramente como uma criação daqueles que efetivamente, mesmo sem cargos ou mandatos, detém a liderança na cidade que todo mundo quer cantar de galo. E que sem pedir a benção a Cássio, Pedro, Romero, e agora Diogo, não passará de um quadro bom pra se ter na sala, mas que apenas reflete a luz de fora por lhe faltar luz própria.
Por isso, acreditei na sua palavra. Porque é a história dele que vai ser contada.
Não a de Efraim.