Os acertos e riscos da novas estratégias de Cícero

Em 2010, Lula estava terminando o governo com pesquisas apontando aprovação de até 83%, e com musculatura para indicar Dilma Roussef, de popularidade abaixo de zero à época, a nova presidenta do Brasil. Na disputa, o ex-ministro José Serra, do PSDB, que diante daquele desafio de enfrentar um discurso de governo bem avaliado, não teve outro jeito senão o de empunhar o conceito “O Brasil pode mais”. Ou seja, um atestado que estava bom. E que, diante disso, sem janela aberta para sair, Serra precisava escolher uma brecha para sair da caixa e ganhar as ruas.

É uma saída sim. Muitas vezes, em casos como este, a única. Porém ela tem um risco. Ela é, antes de tudo, um reconhecimento de que aquilo que o governo diz é verdade. Ela parte, portanto, de uma verdade que passa a não ser mais contestada. Pré-candidato ao governo da Paraíba pela oposição, o ex-prefeito Cícero Lucena já fez isso em relação ao governo comandado por Lucas Ribeiro. Em entrevista à CBN esta semana, declaro com todas as letras “por melhor que esteja, você pode e deve querer fazer mais e melhor”.

Uma declaração tão positiva que nem o mais empenhado aliado de Lucas conseguirá fazer. Claro que Cícero adotou este novo slogan “Pronto para fazer mais e melhor”, a partir da nova orientação do marketing, com foco na intenção de enfatizar quesitos como experiência e capacidade, apostando na tese que “tá bom, mas só ele tem condições de fazer melhor”. Mas, como eu disse, até chegar aí ele passa pelo reconhecimento de que a Paraíba está no caminho certo, um presente narrativo para o atual governador que pode agora atestar a tese de que até o seu adversário concorda com ele.

Para amenizar os efeitos “perigosos” da aposta por este novo conceito, Cícero adotou uma postura de querer separar o governo em dois, um de João Azevedo e outro de Lucas Ribeiro. Desta forma, evita confrontar o ex-governador e tenta tirar do atual o bônus de todas as conquistas. Mas esse movimento, que é interessante sim, também guarda seus riscos, uma vez que Lucas trabalha no sentido exatamente de demonstrar autonomia de ação. E, se bem usada, a provocação da oposição passa a virar oportunidade de propaganda para o candidato governista.

A proximidade da campanha mostrará os reflexos de todas essas mexidas de estratégias e narrativas. Por isso que as disputas eleitorais são tão empolgantes. E cada vez melhores de se acompanhar.

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