Todo mundo tem visto o festival de grosserias e ataques que o Pablo Marçal tem dirigido aos jornalistas nestes últimos dias durante sua participação em entrevistas e sabatinas.
Nada diferente daquela postura presunçosa e atrevida que o ilustre ser humano adota até em suas palestras, e que muitos outros seres humanos também amam.
Toda vez que é confrontado – e mesmo quando a pergunta é apenas “que horas são’ – ele parte para cima do interlocutor, atinge imagem, agride, chama palavrão, tenta humilhar e, claro, ganha maravilhosos trechos para as redes.
Deveriam colocar só IA para entrevistar o Marçal. Queria vê-lo atacando a honra do robô. Mas o fato é que, e aí vou dar uma de Pablo Marçal, a imprensa merece ser atacada por Pablo Marçal. Simplesmente porque dá espaço absurdo para ele! E faz isso porque ele, com toda a arrogância do mundo, dá audiência.
Neste sentido, balas trocadas. E a imprensa age com certa dose de masoquismo. Sabe que será humilhada por Marçal, mas não perde a oportunidade em tê-lo em seus estúdios para fazer render os cliques e assinaturas.
E não me venha falar que o trabalho do jornalismo é ouvir a todos e a tudo aquilo que é fato, e o Marçal é um personagem público, que tenta ser candidato a presidente e bla bla bla, e tem que ser ouvido, mesmo adotando a postura que adota. Justificativa hipócrita ! Fosse verdade a imprensa estaria cheia de entrevistas com Clariana Barão, Hertz Dias, Samara Martins, Edmilson Costa. Você os conhece ? São todos candidatos à presidência da República. Você já ouviu alguns desses nomes falando em excesso nos meios de comunicação? Não. Então, não me fale sobre responsabilidade de cobrir os fatos.
Agora, bastou Marçal dizer que iria ser candidato que choveram de convites para entrevistas, sabatinas, podcasts e os cambau.
E tome pau de Marçal nos jornalistas, no jornalismo, na imprensa, chamando de parcial, burra, de mercenária.
E, mesmo assim, sendo chamado para uma entrevista no dia seguinte.
Desse uma informação simples sobre o movimento do Marçal, e o deixasse lá falando suas loucuras tão somente em seus perfis nas redes, a imprensa cumpriria seu papel e evitaria ter que suportar tão asqueroso personagem, credenciando-o cada vez mais.
Mas, infelizmente, muitas vezes, a imprensa não consegue viver longe de que quem faz mal para sociedade, mas é sinônimo de audiência. E, sem querer querendo, acaba provando, de vez em quando, do próprio veneno.