Ricardo Coutinho e Cícero Lucena protagonizaram ao longo das duas últimas décadas uma das relações mais conflituosas da política paraibana. Confronto pesado. Na política e na Justiça. Mais recentemente, após rompimento do prefeito de João Pessoa com João Azevedo, por razões circunstanciais, o clima entre ambos melhorou, levando Ricardo, que tem mais raiva hoje do governador, até a admitir voto em Cícero para governo em 2026, desde que apontado por Lula.
Eis que, sem querer querendo, a pancada que o ex-governador deu no uso indevido da Estação Ciência, Cultura e Artes, obra com assinatura de Oscar Niemeyer construída na sua gestão enquanto prefeito, acendeu uma luz sobre o tema e arrastou a gestão de Cícero Lucena novamente para a reprovação da imprensa, de parte da opinião pública e, novamente, do Ministério Público Estadual. Esta semana, Ricardo falou sobre o absurdo da cena resultante de um evento de dezenas de banheiros químicos instalados no ambiente de um local que deveria ser preservado para o que se propôs originalmente. O tema repercutiu e ganhou ainda mais dimensão maior após a confirmação de outros eventos, para além de corridas, shows comerciais, churrascos, especialmente de uma exposição de cavalos, divulgada pelo jornalista Clilson Júnior, na Arapuan FM. Ajudaram a referendar a denúncia de Ricardo Coutinho, puxando a gestão municipal para o centro de uma discussão que não é nada interessante em plena pré campanha eleitoral.
Especialmente por se tratar de uma candidatura que sustenta parte de sua narrativa na tese de “levar o modelo de administrar João Pessoa para o resto do Estado”. Por ora, no entanto, a única coisa que da prefeitura de João Pessoa que tá rodando no Estado é pancada da Estação Ciência, iniciada por Ricardo, e reverberada pela imprensa em razão da completa ausência de uso adequado da Estação Ciência.