Quem é contra vacinas é, mesmo sem querer, a favor do Coronavírus

Sentindo-me indisposto e febril, eu me recolhi em casa no dia 18 de março de 2020 sem saber ainda, naquele momento, que estava com Coronavírus. Graças a Deus, dois dias depois, estava me sentindo ótimo e, com mais alguns dias de isolamento, pude retornar normalmente as minhas atividades habituais.

Duzentos e dez mil brasileiros, até agora, infelizmente, não tiveram o mesmo livramento que o meu. Contaminados pelo Covid, vieram a falecer ao longo desses dez meses seguintes. Por isso que ao ver neste dia 18 de janeiro de 2021 as imagens da chegada das primeiras doses da vacina do Coronavírus na Paraíba, eu não pude deixar de recordar daquele dia 18 de março.

Quando eu tantos outros milhões de paraibanos ( e outros terráqueos0 estávamos completamente vulneráveis a este mal, ingênuos, sem perspectiva alguma de como livrar-se dele. Brigando com algo que sequer conseguimos ver. E que só damos conta de que existe quando alguém vai parar na UTI ou morre.

A chegada da vacina no mundo, no Brasil e, em especial na Paraíba, é para ser comemorada com data no calendário festivo. Sob hipótese alguma deveria servir para debate político. Sob hipótese alguma deveria ser de instrumento eleitoral contra ou a favor de alguém. Sob hipótese alguma poderia ser vista com desconfiança.

Ela é uma graça de Deus, disponível aos homens e mulheres para ser instrumento de cura. É Jesus mostrando as chagas a São Tomé.

É inquietante ver pessoas renegando-a, seja por medo pessoal, seja por inspiração política, ou qualquer outra razão. Evito pensar muito nisso para não ter um ataque cardíaco, mal para o qual não tomo remédio.

Ora, as vacinas ‘correram’ mais do que o normal. Sim, correram. Mas nenhuma delas passou por tantas instituições sérias sem apresentar o mínimo de resultado e segurança. As etapas que foram puladas supõem que não se esgotou o máximo de segurança. Mas nenhuma passou ou passará sem ter atingido os níveis mínimos. E o mínimo de esperança contra o Coronavírus já é o bastante para salvarmos o máximo de vidas.

O curioso é que, na minha opinião, toda energia, toda raiva, toda cobrança, todo receio das pessoas deveriam estar devotados para lutar por apenas uma resposta: teremos vacinas para todo mundo em tempo hábil? Esse deveria ser o único debate em pauta. O único que deveria ecoar entre autoridades, cientistas, sociedade civil organizada. Qualquer outra abordagem coletiva ou individual sobre vacinas que receberam autorização de agências sérias que não seja sobre “quantidade suficiente” deveria ser completamente rejeitada.

Ao brigarmos contra a vacina – e não pela vacina – chegamos ao absurdo e irracional comportamento do náufrago que rejeita um bote de salvação porque não entende como é possível que ele tenha aparecido assim, do nada, em alto mar.

Isso sim é inacreditável.

E faz com que tenhamos que ver iniciativas legislativas “premiando” quem se vacinar e outras “castigando” quem não quer se vacinar. Duas atitudes resultantes da completa falta de bom senso, contra a qual a ciência, infelizmente, ainda não produziu imunizante.

 

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