Protagonismo de Cícero é dose de veneno no cálice da unidade

Que Cícero Lucena está embalado na disputa pelo governo do Estado já não é mais novidade. A grande questão é saber quais os efeitos disso para a unidade do grupo governista lá na frente.

Porque somente se alguém atestar que tudo o que o prefeito de João Pessoa está fazendo é combinando e tem o aval em conjunto do governador João Azevedo (PSB) e dos deputados Aguinaldo Ribeiro (PP) e Hugo Motta (Republicanos é que se poderá prever paz. Caso contrário, os passos de Cícero colocam uma pitadinha do veneno da inveja nas taças que o grupo uso para brindar a unidade. Seja no Gulliver Mar. Seja na Granja Santana.

Sem alisar. Com esse movimento de visita ao interior da Paraíba, divulgação de pesquisas, e entusiasmo dos mais próximos, Cícero é hoje candidato único do grupo. Já passa a sensação de ter engolido de uma só vez Adriano Galdino, Lucas Ribeiro, Deusdeth Queiroga e até Hugo Motta. E anote essa outra afirmação: e já está tirando de João Azevedo a capacidade de escolher o sucessor caso decida cumprir o mandato inteiro.

E não apenas porque é mais bonito (?) do que todos eles juntos. Mas é porque está numa corrida montado num cavalo enquanto que cada um dos demais tem um navio amarrado nas duas pernas, não podendo sequer sair do lugar.

Galdino tem um abacaxi chamado Allana para resolver. Lucas Ribeiro não pode se movimentar porque João não abre espaço. Deusdeth nem na corrida para estar mais. E Hugo Motta, além dos problemas tamanho Brasil que tem pra resolver, não pode sustentar sua presença na Câmara dos Deputados com uma pré candidatura ao governo.

Resumo da tragédia grega: Cícero sozinho cavalgando desembestado pelos municípios da Paraíba. Inclusive, sentando-se à mesa com figuras da oposição ao governo.

E também não é porque goste de viajar no final de semana enquanto poderia estar na praia. É porque estrategicamente quer chegar em 2026 com o nome mais competitivo do grupo. E, como já registramos em artigo anterior, constranger o grupo que será obrigado a considerá-lo como “melhor candidato”, por que ainda não se descobriu um que retire uma candidatura estando pontuando melhor nas pesquisas. Cícero retiraria ?

O problema é que, quem entende um pouquinho de política, sabe que pontuar bem numa pesquisa não é sinônimo de vitória. É preciso avaliar potencialidade de crescimento, rejeição que gera teto, e por aí vai. Muitas vezes, quem tem mais recall, como é o caso de Cícero, tem uma boa largada, mas não tem chegada e pode ser ultrapassado por um nome que começa pequeno e tem potencialidade de avançar.

Além disso, é preciso avaliar a decisão de João Azevedo. Se ele ficar no governo, é possível uma composição em favor da candidatura de Cícero, mesmo para desespero interno do PSB, abrindo espaços para as candidaturas de Daniella Ribeiro (PP) e ainda de outro senador e a de vice. Mas se João sair, Lucas Ribeiro vira, como já disseram, “candidato natural”. E Cícero vai descer do cavalo para colocar Mersinho, seu filho, na pista? Se sim, tudo bem.

Mas não tem nada mais sedutor que sentir o cheiro do Palácio da Redenção. Isso enche a narina do mais reto dos homens, inebria-o com o odor do poder, e faz com que ele se desvie dos caminhos mais justos.

É por isso que, talvez, a melhor decisão do grupo seria amadurecer e antecipar decisões a fim de que a base possa sair já com um roteiro definido, com cada qual sabendo que papel exatamente vai encenar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais

E se o PL perder Efraim…

Lula entre dois “presidentes” e a dúvida que beneficia Nabor

Jhony se decide por Cícero e entra na lista das…

Walber Virgolino prevê traição e manda Lucas e João “abrirem…

Edinho Silva desembarca nesta sexta em João Pessoa e PT…