O que Veneziano realmente quer

O grito faz parte do instinto humano. Como forma de comunicação, serve para reivindicar com ênfase algo que se deseja. Das cavernas, quando não havia a palavra falada, para atualidade, a humanidade encarcerou o grito, colocando-o numa redoma, disciplinando-o para ser usado apenas para em casos extremos. O grito, assim, virou um vilão de uma sociedade (hipocritamente) educada, devendo ser evitado, ficando restrito aos loucos descontrolados e aos sem argumento.

Polido e reconhecidamente eloqüente, o senador Veneziano Vital do Rego traçou sua trajetória política evitando o grito. Mas na política, especialmente, na Paraíba, o excesso de polidez, algumas vezes, não leva a lugar algum, valendo mesmo é um bom e nítido berro.

E pode ser o que Veneziano esteja prestes a fazer diante do quadro que se impõe para 2022.

Vice-presidente do Senado Federal, presidente do MDB da Paraíba, com uma mãe senadora da República, com um mandato que vai até 2026 e, especialmente, liderança em Campina Grande, Veneziano ainda está fora das discussões externas para composição de chapa do governador João Azevedo.

Dando a impressão que está apenas assistindo de camarote as indicações e insinuações de Efraim Filho (DEM), Aguinaldo Ribeiro (Progressista), Adriano Galdino (Avante) e até de prefeitos do sertão.

E, neste caso, até permitindo que se alimente a tese de que se não está reivindicando nada porque aguarda para ser candidato ao governo no lugar de João. Ou contra João.

Mas, nos bastidores, ele deixa claro que não é nada disso. E que quer sim, apesar de não demonstrar publicamente, indicar um nome para compor a chapa de João. E que em não sendo a de senador sobra apenas à vaga de vice. Desde que o nome não seja o dele próprio.

Como não tem batido o pé, diferentemente de outros, tem dado a impressão  de que concorda com a eventual exclusão.

Mas o tempo de suprimir o grito está com dias contados. Ontem, no Frente a Frente da TV Arapuan, ainda sem a clareza necessária, Veneziano começou a mudar o tom. Falou várias vezes de que o “tempo do MDB será fixado de dentro para fora e não de fora para dentro”.

A frase enigmática pode ser traduzida da seguinte forma: Veneziano não vai querer ser “cozinhado” até a campanha de 2022 para depois ser excluído. Ele quer definição antecipada para que, diante dela, possa escrever o roteiro do partido. Em silêncio.

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