De repente, o Brasil se rende ao morango do amor. Redes sociais, matérias na imprensa, conversas entre as pessoas. O preço do morango pipoca, confeiteiras comemoram os 15 minutos de boas vendas, e o tema vira debate científico com “especialistas” no tema, e historiadores pesquisando a origem do doce.
Para além de todas as análises que podem ser feitas, uma confirma a tese de que comunicação é relacionamento. E, por mais nichos, tribos e bolhas que possam existir no infinito mundo da rede mundial de computadores, os temas gerais sobrevivem e sempre sobreviverão porque os seres humanos gostam mesmo é de se conectar.
E isso só pode ser feito por meio de assuntos que são de domínio geral, sejam eles sofisticados ou simples. A comunicação, como dizem os teóricos, é um “produto funcional da necessidade humana de expressão e relacionamento”. E isso só acontecem quando, de repente, todos sabem e passam a comentar sobre o que é um morango do amor.
Não faria sentido, nem conseguiríamos nos conectar, se cada pessoa falasse apenas uma língua específica, um tema específico. Uma torre de babel atual. Ou seja, a segmentação ganhou sim seu espaço, e você vai encontrar figuras que parecem viver num mundo isolado onde há apenas os habitantes da comunidade que gosta de criar larvas em copo plástico ou captar os sons das folhas de coqueiros.
No entanto, por mais pulverização das plataformas e de segmentação de temas, o que nunca vai morrer é o conteúdo genérico, aquele que toma da vida das pessoas, independentemente da classe social, econômica e cultural. Isso vai desde temas universais, pandemias, eventos como a copa do mundo, aquela separação de casal de famosos. Até os morangos do amor.
Isso garante, inclusive, a sobrevivência produtiva de veículos de comunicação de massa, especializados em tratar dos temas que possam servir de contextualização geral do mundo, mesmo que eles já tenham se rendido ao dinamismo das redes, apesar do desafio de monetização.
Neste sentido, minha gratidão aos morangos.