Fala-se muito sobre o destino de João Azevedo pós abril quando ele deixar o governo. Diz-se, neste falatório, que ele será abandonado por muitas lideranças políticas, entre prefeitos e deputados, que hoje sorriem quando ele chega.
A saída de Jhonny Bezerra do PSB, e do governo, além da perspectiva de debandada de tantos outros do partido presidido por João, é um sinal concreto, e antecipado, do que pode vir a acontecer.
A política é mesmo cruel. E isso, em maior ou menor grau, acontece.
Acontece que, com João, essa aposta se acentua em razão de seu comportamento pessoal. Discreto, apegado à agenda familiar, e muito focado no resultado, o governador, de fato, é aquele perfil que não cria muitos laços além do trabalho.
Ele produz, produz, produz e vai para casa. Uma postura exemplar, inclusive. Mas para política, na bolha em que se convive, exige-se um tal de “chamego” que cria liga, e ajuda na construção de liderança.
Soma-se a isso o fato do governador ter o perfil menos beligerante. Apesar de firme em suas posturas, sendo até “ríspido” quando precisa, ele evita conflitos. Está sempre andando no meio da calçada. Diminui, com isso, a dicotomia que todo líder desfruta: a de ser amado e odiado ao mesmo tempo.
Isso também, provavelmente, também tenha contribuído para não ter criado para si um “ismo” como tiveram os ex-governadores Maranhão, Cássio e Ricardo Coutinho.
Sua reeleição, em 2022, com mais de 1,2 milhão de votos, a primeira vitória por conta própria, com base em que é e no que fez, deu a João um tom a mais de liderança. Mas ele continuou do jeito que é. E a virada de chave da sua reeleição, pela qual ele reafirmou sua legitimidade como governador, algo que aconteceu com Maranhão pós 98, não foi acentuada.
O fato é que João chega agora diante de sua primeira experiência de se colocar para a avaliação popular, ao mesmo tempo, sem padrinho político nem mandato. É ele mesmo como pessoa e seus feitos como governador.
Max Weber, em seu discurso Política como vocação e ofício, declarou que, diante do líder carismático, “não se submetem a ele por força do costume ou do estatuto, mas porque acreditam nele”.
Já o velho Ulysses Guimarães, conforme li recentemente, foi além: “Não são os cargos que dão liderança. Os cargos tem um mandato certo. As lideranças, quando lideranças, permanecem no tempo”.
Saberemos agora se o que João construiu esta liderança além da posse de um mandato.
Deveria.
Afinal, trata-se de um ex-governador candidato dono de um legado de governo reconhecido pela maioria da população. E tecnicamente provado por vários números de fontes oficiais que apontam desenvolvimento econômico e social do Estado. Um governador de grandes obras como estradas, hospitais, pontes e do Pólo Turístico.
Em discursos de rompimento político recente, vimos os próprios políticos elogiarem e reconhecerem João como excelente gestor, mas reclamar dele por falta de bom trato com os “colegas da política”.
Será que o povo deixará para os políticos o privilégio de dizer se João presta ou não presta?