O mini 8 de Janeiro de Glauber Braga

Num Brasil habitado por fanáticos de um lado e de outro, a matemática não existe. Dois mais dois mais dois nunca será igual a quatro. Será sempre cinco para uns e três para outros. Veja só o papelão que o deputado federal Glauber Braga (PSol-RJ) fez ao assumir a cadeira da presidência da Câmara “em protesto” contra a votação de sua cassação por outro ato tresloucado do parlamentar em outro episódio. Papelão semelhante ao que fizeram deputados da direita “em protesto” pela votação da Anistia. Quando aconteceu, a esquerda lamentou a postura dos raivosos do PL. Ontem, a esquerda aplaudiu Glauber, se solidarizou com ele e achou um absurdo ele ser retirado do local. Cadê a matemática?

O próprio Glauber sabia que estava a fazer algo desmedido. Tanto que provocou querendo saber se seria retirado ou não à força. Queria saber se Hugo Motta faria o mesmo com os deputados de direita? Ou seja, vou cometer um crime para saber se a Justiça é justa ou não? Hugo Motta errou ao não acionar a Polícia Legislativa lá atrás. Agora não. O deputado adotou um gesto que ele mesmo critica. O de depor contra os ordenamentos legais e jurídicos que regem o funcionamento das instituições no Brasil. Sabia que não poderia fazer aquilo. Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara pelo voto dos próprios deputados, com base nos instrumentos legais em vigor. E é a ele quem cabe aquela cadeira, gostando ou não. O mandato de Glauber não dá a ele o direito de ficar acima das leis, embora esquerdistas o aplaudissem. Ao contrário, como representante do povo deveria era dar o exemplo.

Guardadas as devidas proporções, qual a diferença de um cidadão que invadiu o plenário da Câmara e sentou-se na cadeira do presidente da Câmara no 8 de Janeiro em protesto contra a posse de Lula e a atitude de Glauber Braga. Ambos são cidadãos, um representante direto e outro indireto da democracia brasileira, que deveriam respeitar todos os ritos institucionais, guardando respeito às instituições e não atuando como transgressores das normas.

Quando fez greve de fome em protesto pelo seu processo, que pode ser injusto ou não, Glauber Braga estava no seu papel. E não desrespeitou ninguém a não ser seu estomago. Ontem, ele fez um mini 8 de Janeiro. E a turma da esquerda, essa mesmo que defende a democracia, está solidária com ele e abismada com a força dos polícias legislativos.

Hipocrisia fazer de conta que a democracia só conta em favor de aliados.

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