Federação UP, como é difícil o parto do desapego e os sinais do apego ao pragmatismo

Não entendi a razão pela qual alguns espaços trataram como algo surpreendente o tal “rompimento” da Federação União Brasil-PP cm o governo Lula. Alguns registraram o fato da decisão de entrega de cargos como “agora lascou”.

Ora, novidade alguma. Há meses, para não dizer há anos, que os dois partidos já não trilhavam a cartilha do Planalto. Tendo alguns dos seus líderes claramente falando há tempos em derrotar Lula nas eleições de 2026.

Novidade alguma, especialmente depois da oficialização da federação que já nasceu com esse intuito de, virando uma superestrutura, estar acima do próprio centrão e poder confrontar o atual governo agora e nas urnas.

O que estava faltando – e há muito tempo-, aí sim, é o desapego. Algo que, depois de tanto tempo, foi anunciado nesta terça, quando as legendas pediram a entrega dos cargos, a começar por dois ministérios, mantendo espaços que foram indicados por Davil Alcolumbre (AP), presidente do Senado, e Arthur Lira (AL), ex-presidente da Câmara.

Que demora foi essa, que dificuldade se tem de um partido declarar-se oposição, trabalhar para tirar o governo do poder, mas desejar continuar enfurnado dentro da estrutura governamental ?

É preciso saber, inclusive, se seus líderes continuarão transitando nos corredores dos ministérios com a mesma desenvoltura de sempre. Tinha gente que queria arrastar a manutenção do pé na máquina pública até a última hora. Nenhuma novidade, inclusive. Há quem, contra a atual gestão, derrube o governo por dentro, mudando o presidente, sem mudar de lugar, como se viu com o MDB de Michel Temer recentemente.

O pragmatismo político leva a crer que a federação não está disposta a qualquer custo a abrir mão de oportunidades  governamentais. Estejam elas em Brasília ou em outros estados brasileiros.

Os sagazes entenderão.

 

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