Era uma vez um grupo unido que dominava sozinho o governo do Estado, a prefeitura de João Pessoa, a presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba, a presidência da Câmara Federal e, ainda por cima, um potencial candidato ao Senado da República, além de várias prefeituras, partidos políticos e amplas bancadas na Assembleia e nas principais câmaras municipais do Estado.
Mas o desejo individual de um só integrante do grupo, no caso específico, o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, levou integrantes deste conglomerado a romperem e se confrontarem. Nas redes, nas ruas e nas urnas, acabando, inclusive, com uma parceria administrativa que garantiu várias obras para a capital paraibana.
Eis que a eleição que motivou esse rompimento passou. E o autor deste movimento saiu de cena e desceu do palco por ordem das urnas. Ficaram, portanto, apenas os atores com papel garantido. E prontos para cuidarem, a partir de agora, das suas próprias histórias.
O prefeito Léo Bezerra é um desses personagens. E é a sua história que entra em cartaz a partir de agora para ser exibida na eleição de 2028.
Entre tantos, portanto, existe um roteiro que paira na mesa do atual prefeito de João Pessoa cujo desfecho sinaliza para um processo de reconstrução da antiga aliança. Da qual Léo é fruto. E não causa de destruição.
Apesar de toda lealdade demonstrada a Cícero, certamente, Léo ainda guarda na memória a dificuldade pessoal que teve em quebrar os laços com João Azevedo, seu principal apoiador político dentro do PSB.
E qualquer coisa que sinalize a possibilidade de uma reconciliação, provavelmente, encheria seu coração de satisfação pessoal, embora já possa guardar também algumas mágoas do ex-governador, e hoje senador eleito, João Azevedo.
Neste sentido, o prefeito Léo Bezerra tem condições de tentar iniciar um processo de reconstrução da aliança que foi quebrada tão somente pelos arroubos pessoais de Cícero Lucena, que largou mão do desejo de João Azevedo e desconsiderou atos pretéritos feitos pela família Ribeiro.
Essa reconstrução se daria a partir da retomada de uma parceria administrativa com o governador reeleito, Lucas Ribeiro, em favor de obras e ações para João Pessoa. E a (re) construção de uma pauta política que leve esses dois promissores jovens da política paraibana a juntarem forças no lugar de medí-las. Afinal, eles se conheceram como grupo.
Para Léo, seria a possibilidade de construir, por suas próprias mãos, um grupo para chamar de seu em 2028 e retribuir, do alto da cadeira de prefeito da capital, a mesma coisa para o grupo em 2030. E, neste sentido, o tema interessaria, naturalmente, mais a ele do que ao governador, que venceu as eleições em João Pessoa com 205 mil votos sem precisar de Léo. E olhe que o prefeito já tem um pé dentro do grupo governista por causa da aliança feita com o Republicanos de Hugo Motta.
Na prática, seriam múltiplas as possibilidades. Lucas indicando a vice de Léo, garantindo apoio na Câmara, e recebendo reciprocidade na Assembleia, além do compromisso de ter a prefeitura de João Pessoa pronta para apoiar as candidaturas majoritárias do grupo em 2030.
Calma? Não estou dizendo que é fácil. Nem que não haveria resistências. Claro que muitas vozes, especialmente do PSB, dirão “Não!”, “Jamais! Olhe o que ele fez conosco. Vamos arrebatá-lo da cadeira de prefeito!”. Ou seja, alguns estomacais adotarão a postura e as mesmas frases que foram ditas por Cícero para ser candidato ao governo.
Mas, em política, você só usa a emoção para atrair eleitor. Porque decisão é pra ser tomada com frieza e racionalidade.
E tanto Leo Bezerra quanto Lucas Ribeiro tem um futuro, e um mandato inteiro, para chamar de seu e construir da forma que eles, como atores, entendem. E não como os espectadores desejam.