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A um passo do paraíso : Hugo terá outra vida se eleito sem virar refém do PL

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A um passo do paraíso : Hugo terá outra vida se eleito sem virar refém do PL
Foto de arquivo.

Todo mundo lembra a euforia da eleição de Hugo Motta (Republicanos) para presidente da Câmara Federal. Uma articulação que uniu gregos e troianos e fez dele quase que uma unanimidade.

Mas todos lembram também que, em pouco tempo, Hugo Motta passou rapidinho do céu para o inferno diante da obrigação atender as pressões vinda antagonicamente do PL e do PT, que protagonizam o confronto maior no país.

Como fechou compromissos com os dois lados, passava o dia dizendo sim, a tarde dizendo talvez e à noite dando não para todo mundo. Envelheceu dez anos em poucas semanas, e foi, ao mesmo tempo, xingado e elogiado pelos dois lados, simultaneamente. Anistia, impeachments, CPIs, tudo pauta que elevava o nível do confronto e da tensão no Congresso e recaia sobre seu colo.

Chegava a dar pena ver o esforço que ele fazia para defender o equilíbrio, para mostrar que o brasileiro estava mais interessado em pautas como segurança pública, saúde, entre outros. Para mostrar que a Câmara teria que focar em matérias de interesse coletivo e não em temas que só alimentavam a polarização política.

Conseguiu ainda, em meio a tudo isso, algumas conquistas de abrangência popular, entre elas, a aprovação da isenção do imposto de renda, proteção para cobrança pelas companhias aéreas de bagagens de mão para brasileiros. Mas, no geral, estava sempre sendo puxado pelo braço pelos dois lados.

Que alívio não terá o presidente da Câmara quando descobrir que pode conduzir a Casa sem compromissos com lados tão antagônicos. Atuar servindo somente a um senhor, e, assim mesmo, somente quando bem entender. Livre das cobranças da extrema direita. Que vai continuar batendo, gritando, xingando, atacando, mas já sem que Hugo tenha a "obrigação" em atendê-los.

A articulação que ele vem fazendo, que já somam 15 partidos, os mais recentes inseridos na federação na qual está o PT do presidente Lula, e mais deputados que necessita para garantir sua reeleição, dá a Hugo a possibilidade de continuar presidindo a Casa sem ter que dever favor "ao outro lado".

Vai poder viver livremente recebendo pressão apenas do Centrão e do governo, o que, claro, não é pouca coisa. Mas que, em comparação ao que já viveu, vai parecer uma orquestra sinfônica tocando músicas para acalmar a alma.

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