Hugo Motta mostra que o mundo não acaba no domingo

Fruto de uma eleição que uniu praticamente todos os grupos, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, chega a sua sucessão tendo quebrado alguns ovos para fazer as omeletes que a polarização exigiu durante estes dois anos.
Entre pressões por anistias, pecs e impeachments, Hugo Motta deu seta para todos os lados ao longo de todo este tempo. Mas acabou cozinhando para servir mais ao presidente Lula (PT) do que ao radicalismo do PL. O que fez com que ficasse "numericamente menor", obviamente, e que o senso comum propagasse a tese de que Hugo não sobreviria ao resultado das eleições presidenciais, especialmente caso Flávio Bolsonaro (PL) confirme o que fez no primeiro vencendo o presidente petista.
Mas Hugo não dormiu no ponto. E, enquanto direita e esquerda se matam por votos no segundo turno, manteve uma articulação interna que o coloca na condição de sobreviver ao terremoto do próximo domingo, independentemente do resultado.
Já conseguiu o anúncio público de apoio de 12 legendas, majoritariamente do Centrão que se aproximou de Flávio Bolsonaro neste segundo turno, e já teria 273 votos para colocar numa mesa de discussão com o vencedor e o derrotado do dia 25.
Fez isso conversando com os presidentes dos partidos e, na sequência, com os próprios deputados.
Tem um trunfo que é uma peculiaridade do Congresso. Os deputados, no geral, não querem ninguém que seja "mais Poder Executivo e menos Legislativo". Não querem ninguém que seja ideologicamente fiel ao presidente eleito para que a vontade do Planalto não esteja sempre se sobrepondo aos intrínsecos desejos parlamentares. E preferem, neste sentido, alguém que esteja disposto a firmar parcerias com o Governo, mas deixar claro que os interesses da Câmara estarão sempre em primeiro lugar e que nada emenda uma eventual falta de emendas.
Hugo, portanto, parece estar preparado para a vida pós segundo turno.
Espera o apoio do PT para turbinar estes números mesmo que Lula perca a eleição do próximo domingo, uma vez que o PT terá que fazer de tudo para evitar que o PL, numa eventual vitória de Flávio, vire definitivamente o dono do mundo.
Hugo está muito pronto para mostrar, à imprensa nacional, especialmente, que chegou a chamá-lo de pato morto no início da sua gestão, que não chegou onde chegou por engano.



