É possível ser amado sem caneta. Sem voto, não

Muito se diz que o governador João Azevedo corre o risco de ser passado para trás caso deixe o governo para disputar uma vaga no Senado Federal. A tese se baseia no famoso “deixou a caneta, glória desfeita”. Máxima que tem lógica, mas não é absoluta. Aceita um “depende” que se sustenta no índice de popularidade de quem sai.

É óbvio que, de qualquer forma, se perde o protagonismo de mandar no poder sobre o qual determinava as ordens. Mas se estiver em alta, com potencial eleitoral, não se perde a perspectiva de poder. E, com isso, no lugar de ser “traído”, o ex-alguma coisa passa, na verdade, a ser cortejado. Especialmente diante de uma eleição.

Foi assim, por exemplo, em 2002. O ex-governador José Maranhão, sem caneta, foi imprescindível para a candidatura ao governo de Roberto Paulino, vice-governador que assumiu o governo e foi para reeleição. Paulino não apenas não tinha como abandonar Maranhão como precisaria apelar para que o ex-governador pedisse voto para ele, tanto que era tratado como “o governador de Zé”.

Em 2010, a história se repetiu. Ricardo Coutinho deu uma guinada política e foi buscar reforço nos braços de um adversário,o ex-governador Cássio Cunha Lima, que havia sido cassado um ano antes. Cássio, sem caneta, foi estrategicamente assediado por Ricardo que precisava ampliar sua penetração política no Estado, visto que vinha de uma bem sucedida administração em João Pessoa, mas carecia estender seu nome além do Rio Sanhauá.

Agora, em 2026, se decidir deixar o governo para disputar o Senado, João também, ao contrário do que supõem as teorias de conspiração, pode sim, mesmo sem caneta, ser fundamental para fortalecer uma chapa majoritária.

Resta saber se João já atingiu este tamanho. Mas esse é um assunto para outro artigo.

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