Aguinaldo é o menos passional dos Ribeiro. Talvez entre os políticos paraibanos. Para ter saído dele as declarações que estremeceram a política paraibana nesta terça é porque o cenário atual já não se sustenta mais.
Por mais fleumático que seja, não conseguiu ficar indiferente ao que, certamente, considerava como provocação por parte de Cícero Lucena. Resolveu, portanto, pedir ao prefeito contas dos apoios dados pelo PP nas eleições de João Pessoa em 2020 e 2024.
E deixou claro que não entende como Cícero, “naturalmente”, não está construindo um projeto em favor da reeleição de Lucas Ribeiro, o vice-governador que está a um passo do Palácio da Redenção.
Deu um chute na porta e encontrou Cícero cochichando a luz do dia com outras legendas, alimentando sua própria candidatura. Já tinha visto – fora do quarto – o prefeito de João Pessoa declarar e agir várias vezes como candidato dissidente de eventual candidatura de Lucas.
Mas não quis mais sustentar o teatro no qual estavam participando.
Cícero, por sua vez, durante todo esse tempo, ousava nos atos e nas falas, mas sempre fez cara de paisagem sobre qualquer possibilidade de estar “magoando” alguém. Ao contrário, viu o terreno livre e foi avançando e já estava “cobrando respeito” para si, alegando que as pesquisas deveriam ser o instrumento de escolha. Não o cargo.
Antevejo dois efeitos para atitude de Aguinaldo.
Joga para Cícero Lucena a “obrigatoriedade” – ou o dilema – de dizer se vai “romper ou não” com o governo. E, em segundo plano, procura abrir espaço para que Lucas Ribeiro possa fazer pré-campanha mais livremente, sem a sombra do prefeito sobre sua cabeça.
De uma forma ou de outra, aguarda-se a tréplica do prefeito pessoense sobre o tema.
Além disso, a posição de Aguinaldo deixou, sem querer querendo, o governador João Azevedo (PSB) numa situação que o obriga a se posicionar. Afinal de contas, João Azevedo acha que quem está certo nesta discussão: Aguinaldo ou Cícero?
Querendo o voto de ambos para o Senado, João, certamente, está fazendo malabarismo para ver o que vai dizer ou fazer. Provavelmente, será aconselhado a dizer que “isso é um problema do PP”. Mas ele sabe que não é.
Querendo ou não, João sabe por onde passa o desenho para ser senador da República. E esse desenho passa pela candidatura de Lucas à reeleição. Não ter paz para pintar esse quadro faz dele um tanto quanto irritadiço quando se trata desse assunto Cícero versus Ribeiro.
Nem tudo, no entanto, se resolve fechando os olhos e indo dormir.
Os contornos deste quadro vão ficando cada vez mais nítidos e já é chegada a hora de cada personagem escolher a tinta que vai usar.
O tempo da neutralidade passou.