A remissão de Cícero

O prefeito Cícero Lucena é um gestor experiente. Não precisou de ninguém dizendo que a falta de vacina para a segunda dose causou profundo arranhão em sua gestão. Sabia disso por si só.

Resolveu, portanto, não brigar com os fatos. Deu uma recuada, permitiu até pedido de desculpas por seus auxiliares, e, no máximo, sustentou a alegação que o erro foi do Ministério da Saúde que orientou queimar o estoque de vacinas aplicando a primeira dose no povo.

Esperou novos ventos para voltar a conduzir o barco.

Diante da chegada de novas doses da vacina na Paraíba, resolveu sair das cordas e virou a luta. Ao anunciar de forma clara uma vacinação sem interrupção, por 24 horas, com diversos pontos, e sem muita restrição, confrontou toda a imagem de negligência, descaso, desorganização e incompetência que as cenas dos últimos dias haviam produzido, inclusive com destaque na mídia nacional.

Milhares de pessoas que estavam com prazo já vencido para tomar a segunda dose correram para os postos de vacinação, utilizando-se das mais diversas opções e lugares. Tinham terminado a semana indignados. Entraram no final de semana esperançosos. E, mesmo chateadas em razão da espera de até cinco horas nos momentos de maior pico, saíram vacinadas e, consequentemente, satisfeitas com o esforço para regularizar a situação, visto que absurdo mesmo é esperar e não ser vacinado.

Viram, portanto, uma força tarefa gigantesca para aplicar a segunda dose no povo. Viram um Cícero no meio da rua, em alguns casos, até empurrando carro de quem estava na fila do Drive Thru para receber a vacina. Viram não apenas uma gestão que tinha mais doses para vacinar, mas uma gestão que tinha o desejo de corrigir imediatamente o transtorno que havia causado e, principalmente, assegurar eficácia na imunização de seus cidadãos.

Cícero saiu deste final de semana redimido do pecado de dias atrás. E, certamente, ainda mais apurado no processo de imunização. Sabe agora que acreditar em promessa do Ministério da Saúde é o mesmo que comprar no crediário sem ter salário fixo. E vai, ao ajustar tudo o que estiver atrasado, deixar mais claro que quando uma prefeitura não vacina é porque o Governo Federal não mandou. E não porque faltou planejamento por parte da gestão municipal.

Ao que parece, está imunizado contra esse equívoco.

 

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