O risco de Cícero Lucena romper com base governista e ser candidato ao governo numa chapa em separado não tem paralisado apenas os movimentos da situação. A oposição também se movimenta à sombra da possibilidade de ter um Cícero como cabeça de chapa, e, com isso, também não sai do lugar.
Perceba como a oposição não ataca Cícero de frente, já deixou de criticar a gestão e o gestor, considerado em 2024 pelos oposicionistas um “grande mal à sociedade”.
O suspense cicerista do rompe ou não rompe remete ao que Romero Rodrigues, deputado federal pelo Podemos, já fez, pelo menos duas vezes, com o governo, quando dava sinais de que poderia romper com os Cunha Lima para ser a solução governista, e, ao final, deixando o governo inteiro paralisado, voltava para a casa política de onde nunca saiu.
O roteiro é conhecido e já batido, mas nunca deixou de ser sucesso de bilheteria. E, agora, pode evitar o final feliz da oposição. É que não se consegue fazer uma candidatura enquanto se espera por outra. É fisicamente impossível.
A verdade é que aa oposição, à exceção da ala mais bolsonarista, toda as apostas mais promissoras tem Cícero encabeçando a chapa e o restante das lideranças se encaixando nos demais espaços. Não apenas por desfalcar o governo, mas por funcionar como solução para a maioria das lideranças oposicionistas.
Por isso, se fala em Pedro Cunha Lima, na primeira-dama de Campina Grande e Adriano Galdino como vice. E na vibração de Veneziano Vital do Rego (MDB) em ter uma chapa competitiva para poder ser candidato de Lula ao Senado livremente.
Tudo isso juntando João Pessoa e Campina Grande num força estrutural de colocar medo em qualquer outro concorrente.
Há, neste caso, há uma cicerodependência que se torna arriscado para o projeto oposicionista, uma vez que Cícero vai arrastar essa situação até quando puder já que ainda alimenta a tese de que poderá sair candidato a governo pela situação.
E se Cícero não romper e resolver ficar com a base governista, seja para para apoiar Lucas Ribeiro (PP), seja para ser ele mesmo o escolhido o candidato da situação ?
Aí a oposição terá que recolher os cacos e correr para fazer uma chapa competitiva.
E, talvez, perguntar ao governo como é possível se recuperar de um abandono no altar.