2026 começou: você já decidiu quem vai agredir?

Este é um ano eleitoral. Ou seja, ano de disputa política direta. E no Brasil doente de hoje – vale para o mundo – a polarização política transforma uma eleição num espaço para expressão concreta do ódio. Discordar e divergir não são suficientes. Coisa de fracos. O forte mesmo é odiar e, especialmente, dar vazão a este ódio, para “aniquilar o inimigo”. Porque só vencer é coisa pequena. Estamos treinados para agredir. (Para matar, será?).

Vejamos a notícia de que um homem partiu, na festa de Reveillon, para cima daquele ex-ministro Geddel Vieira Lima dizendo que “político tem que morrer”. Tá, Geddel é aquele pego com incontáveis milhões aborrotando um apartamento seu na época das operações da Lava Jato. Um escárnio. Podemos ficar revoltados com sua postura corruptiva. Indignados com o fato dele gozar de alguma impunidade. Mas querer mata-lo é outro estágio, não?

É sim. E faz parte de uma estratégia milenar daqueles que sabem exatamente como usar o ódio como uma locomotiva em favor de seus próprios interesses.

Os gatilhos para agressão são, racionalmente, dados há anos por líderes populistas com objetivo de conquistar seguidores de uma causa. Criam um inimigo. Vestem-no como responsáveis por todos os nosso problemas. E, na atualidade, colocam a receita para assar no forno das redes sociais, que potencializam tudo. Do carpaccio à bomba atômica. O resultado que sai é um ódio canalizado para um exército feitos por pessoas que regam plantinhas na varanda assoviando música gospel e ajudam os gatinhos desamparados nas ruas. Mas que não aguentam ver um adversário político sem apertar os dentes e desejar que ele morra.

Com base nisso, por exemplo, Lula é o demônio e não apenas um político corrupto que deveria estar preso. Bolsonaro não é apenas um aprendiz de golpista. Ele tem que apodrecer na cadeia, e morrer soluçando por causa da facada, fruto idem do ódio. Trump deveria ser escalpelado, Zezé Di Carmago cair de um palco bem alto, o Papa Francisco queimar no inferno…

E nós, pobres mortais, já que é ano eleitoral, estamos prontos para brigar novamente com nossos amigos de infâncias, nossos pais, irmãos. Vamos arranhar o carro do vizinho. Colocar veneno pro cachorro dele. Tudo porque não odeiam quem odiamos. Vamos cuspir ao ouvir o nome de Alexandre de Moraes e pedir na Missa das 7h que ele seja atropelado. E deixar de usar Havaianas, claro, essa sandália maldita, que já espancou tanta criança traquina.

Estamos todos prontos para dar vazão ao nosso ódio. Num ano eleitoral, então. Sem saber, o que é pior, que este ódio é milimetricamente arquitetado por quem deseja que sejamos solados em campos de batalha enquanto generais estão nos estádios assistindo aos jogos da Copa do Mundo. Que pena. E que falta de conexão com o que prega Jesus Cristo. O mesmo que morreu por causa do ódio de alguns.

Como disse, certa vez, Mandela, ele mesmo vítima de ódios: ninguém nasce odiando. Isso é ensinado. Se é assim, continua Mandela, que possamos ensinar a amar.

Concorda, meu irmão? Concorda, minha irmã?

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais

Lucas faz do novo a novidade do seu governo

O que João tem que os outros não tem e…

A vez dos vices: Lucas analisa, enquanto Cícero e Efraim…

O recado de Veneziano para Bruno Cunha Lima

Diogo Cunha Lima dá a Cícero a certeza que ele…