Leio que o presidente Lula criou comitê e vai se reunir com empresários brasileiros para montar uma força tarefa na luta pela reversão do tarifaço de Trump. O presidente norte-americano deu a Lula o que o próprio governo Lula não havia conseguido, uma possibilidade de unidade com o agro e os empresários brasileiros.
Em contrapartida, o governador de São Paulo, um dos estados mais afetados com a decisão de Trump, Tarcísio de Freitas, saiu arranhado do tema, uma vez que, no lugar de assumir uma postura de defesa do estado, entrou na narrativa lunática do bolsonarismo e preferiu falar mais em política do que em economia.
A primeira tese escolhida, como está na carta do próprio Trump, foi a de que isso só aconteceu porque Bolsonaro está sendo julgado e pela falta de anistia, foi um desastre para a imagem da direita bolsonarista. Ora, uma coisa é ter simpatia por Bolsonaro. A outra é colocar seu próprio negócio em risco para exclusivamente salvar a pele dele. Amigos, amigos, negócios à parte.
Restou a tese de que o tarifaço é culpa das declarações pouco diplomáticas de Lula ou trapalhadas de seu governo. Mais absurda ainda. Fosse assim a França poderia ter reagido comercialmente contra o Brasil depois que Bolsonaro chamou a primeira-dama de feia.
Porque, independentemente da motivação, o tema teria que ser tratado a partir da rejeição à atitude de Trump. E não celebrando o presidente norte-americano pelo que fez. Ou seja, até se pode colocar, quem quiser, a culpa em Lula, mas odiando primeiro o ato e seu autor.
A paranoia medíocre em que Tarcísio embarcou foi exatamente a do bolsonarismo mais rasteiro. Revelando uma face que até bem pouco tempo não ostentava, provavelmente atrás de votos e apoio para 2026.
Técnico respeitado e considerado um bolsonarista nutela, Tarcísio, lá atrás, vinha conseguindo se manter menos “portal de quartel” do que os bolsonaristas raiz. Chamando, incsluve, a atenção de eleitores brasileiros que são contra o extremismo ou estão cansados dessa polarização Lula/Bolsonaro.
Mantinha o discurso de direita e de apoio ao ex-chefe, mas tinha cautela no ataque ao STF e não deixava que os assuntos de interesse de São Paulo fossem atropelados. Não por menos recebeu críticas de Bolsonaro por sua postura em favor da Reforma Tributária.
Mas de um tempo para cá ele resolveu adotar uma postura mais de integrante da seita. Disse que daria indulto a Bolsonaro se virasse presidente, esteve sempre na Paulista engrossando o coro pro Bolsonaro e agora, diante do prejuízo causado por Trump e sua trupe, reproduziu o texto anti Brasil do clã, embora tenha apagado foto com o boné Make America Great Again em seguida.
Isso gera uma crise de identidade. Quem é o verdadeiro Tarcísio? O que considera, em seu íntimo, uma idiotice os exageros do bolsonarismo? Ou que, de fato, tá doido para colocar a camisa da seleção brasileira e gritar “viva o golpe” e “Trump, I love you”?
A quem ele está enganando: o bolsonarismo apenas para ter apoio e votos para 2026 ou o Brasil, posando de equilibrado?
É de bom alvitre olhar com mais acuidade a partir de agora. Seja você bolsonarista extremo ou apenas um brasileiro com juízo.
Uma resposta
Tarcísio é apenas mais Facho dea extrema-direita: a diferença, é que ele sabe comer de garfo e faca.