Defensor da igualdade de gênero, o PT da Paraíba demorou décadas para eleger uma mulher como presidente do diretório estadual. Coube a deputada estadual, Cida Ramos, quebrar esse ciclo ininterrupto da eleição de homens para comandar o partido no estado, ao ser eleita neste domingo a mais nova presidente do partido no estado.
Mas, além desse marco histórico, a vitória de Cida representa também uma derrota de projetos alimentados por desavenças individuais como a do ex-governador Ricardo Coutinho com o governador João Azevedo (PSB).
Com Cida eleita presidente do partido, a capacidade de diálogo com o PSB de João – que é aliado em nível nacional – e as demais legendas do campo progressista, como PC do B e PV, não encontrará empecilho na questão pessoal, sendo mais fácil, portanto, construir palanques que sejam favoráveis à reeleição de Lula, projeto considerado prioritário para os petistas.
Cida terá o desafio, naturalmente, de encaixar o PT na discussões majoritárias. Mas fará isso sem o ranço advindo de circunstâncias que marcaram as relações entre Ricardo Coutinho e João Azevedo. E isso faz uma diferença enorme. Tão grande quanto o tempo que o PT ficou sendo comandada por homens.