Procura-se um discurso oposicionista

Não. É claro que o governo João Azevedo II não é perfeito. Até porque isso não existe abaixo do Céu. Em compensação, é uma gestão que desfruta de um nível de investimento e um catálogo de obras e realizações de fazer inveja a qualquer estado do Brasil. O que se traduz em avalições positivas de governo nas pequenas e grandes cidades da Paraíba.

Goste a oposição disso ou não. É um fato. E todo ser político racional sabe como é difícil combater um projeto de gestão com bons resultados. Se a situação não errar, o jogo tá decidido. Neste sentido, o grande desafio hoje da oposição, além de definir um nome e montar uma chapa, é encontrar um discurso que possa fazer frente a esse modelo de gestão implantado na Paraíba. E, convenhamos, por ora, a oposição não achou.

Isso é uma tarefa complexa, que os marqueteiros e os próprios políticos sabem ser difícil. Porque a base governista já tem seu discurso pronto. Trata-se de garantir a continuidade desse modelo com promessas de mais avanços. E para quem tem R$ 200 milhões de investimentos mês em obras, sendo R$ 120 milhões de recursos próprios, com hospitais e estradas sendo entregues regularmente, programas de saúde que tem agilizado realizações de exames e cirurgias de alta complexidade, e ainda uma expectativa de boom turístico com Pólo Cabo Branco, parece um discurso já pronto. A oposição (ainda) não.

E não vale falar num problema de merenda ali, num buraco da Cagepa acolá. Porque, como disse, perfeição não existe. As gestões terão sempre episódios passíveis de críticas. Mas estamos falando em combater altos níveis de aprovação. Para isso, a oposição não achou o conteúdo.

Nem sobre a segurança pública o discurso é bom. Porque foca-se em questões salariais dos policiais e estes estão trabalhando após saírem de negociações com o governo. Enquanto deveriam focar no sentimento de assalto permanente em que vivemos.

O discurso é tão ruim que num evento inteiro – posse de Pedro Cunha Lima à frente do PSD – o máximo que conseguiram produzir foi “precisamos fazer que a Paraíba avance cada vez mais”. Mas isso é bem governista. O discurso da oposição é tão ruim de pegar que sobre o que mais falam é sobre Cícero Lucena e Hugo Motta, a quem insinuam que deixarão a base governista, usando a imagem de ambos de forma apelativa. Nem no tema da corrupção, necessariamente, estão conseguindo emplacar.

Não estou dizendo que o jogo está encerrado. Há, obviamente, espaços para a oposição avançar na disputa. O processo de sucessão é complicado. Passa por maturidade e unidade do grupo que hoje está junto. Mas, no cenário de hoje, no campo administrativo, a oposição não tem uma razão para dizer “que é preciso acabar como que se tem” para começar um novo modelo. Mas qual seria esse modelo? O da gestão de Bruno Cunha Lima em Campina Grande?

Por ora, portanto, para oposição só restou falar de política, num discurso de que os “políticos” serão mais felizes com o projeto da oposição. Mas dá pra fazer esse discurso público para a população?

É provável que em pouco tempo abra seleção para receber currículos de quem tem uma fórmula de mudar isso.

E antes de discordar deste artigo peça para dar uma olhada em pesquisa de opinião pública. E avalie os índices de aprovação do governo.

Você vai precisar de muita paixão para manter-se na objetividade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais

E se o PL perder Efraim…

Lula entre dois “presidentes” e a dúvida que beneficia Nabor

Jhony se decide por Cícero e entra na lista das…

Walber Virgolino prevê traição e manda Lucas e João “abrirem…

Edinho Silva desembarca nesta sexta em João Pessoa e PT…