Um “rompimento” elegante na oposição da Paraíba. É assim que pode ser traduzido o episódio desta sexta, 25, que ungiu o senador Efraim Filho (UP) como pré-candidato ao governo apoiado pelo PL, sob a benção presencial e pessoal de Michelle Bolsonaro.
Com o passo, Efraim dá um grito de independência em relação aos Cunha Lima saindo da condição de passageiro para piloto do foguete da oposição na Paraíba.
Efeito imediato, o presidente do PSD paraibano, Pedro Cunha Lima, outro pretenso candidato ao governo do Estado nas eleições de 2026, não teve outra opção senão a de falar que a oposição deverá ter, portanto, duas candidaturas. Ou seja, apesar de estarem no mesmo campo, atuarão cada qual no seu quadrado.
O curioso é que passamos meses só de olho na base governista e no risco de racha interno. Acabou que aconteceu primeiro na oposição. Amo cobrir política porque não há tédio !
Para Efraim, um movimento estratégico de quem não viu muita vantagem ficar a mercê da república de Campina Grande. Pedro dormiu no ponto e teve que ver o aliado decidir-se sem “consultar as bases”.
Efraim jogou xadrez e deu xeque na oposição, enquanto Pedro gastava tempo numa agenda que não tinha nada de eleitoral, embora não desse sinais de que largaria o osso. Efraim mostrou que política se faz fazendo. E não descansando.
Obviamente que não tem nada de definitivo nisso. Não se tem a certeza de que Efraim vai virar governador por causa disso. Nem que Pedro deixará de ser governador por causa disso. Não ! Todos estão no jogo. Efraim ganha base e ao mesmo tempo ganha teto. Pedro ainda tem pista para compor uma chapa, inclusive porque sobrou Veneziano Vital do Rego (MDB), e fazer de Campina Grande sua trincheira principal.
O que se atesta do momento, no entanto, é que Efraim Filho, mais uma vez, mostrou que não tem vocação para coadjuvante. E fez política como quem não está brincando.
Uma resposta
Efraim tá de olho em 2030. Ainda tem 5 anos e seis meses de mandato como senador, ou seja, nada a perder. Essa movimentação em direção ao PL mira o fundo partidário, que ele usara para ampliar e fortalecer sua base. Numa disputa ao governo, mesmo perdendo, sai ganhando pq se fortalece para 2030 concorrer novamente ao senado. De sobra ainda assume o comando do partido na Paraíba.