Em tempos de paz, nem chover chove. Os dias são sempre ensolarados e o trânsito flui. Em tempos de tensão, o clima dá sinais de nebulosidade. Diante de atual cenário das relações entre a Assembleia Legislativa da Paraíba e o governo do Estado, que iniciaram uma disputa no STF pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, o tempo começa a fechar.
A causa do início do mal tempo, claro, é política. A discordância de Adriano Galdino em seguir com a tese de “candidatura natural” de Lucas Ribeiro em caso de afastamento do governador João Azevedo em abril. O resultado começa a entrar no cardápio da oposição, que já sentiu o cheiro da mudança de tempo, e literalmente tá colocando na mesa pautas que antes não entravam nem no forno. Inclusive com ingredientes que supõem uma CPI.
A da vez agora é a discussão sobre o programa Tá na Mesa do governo do Estado. Ontem, a secretária do Desenvolvimento Humano, Polyana Werton, esteve na Assembleia numa audiência pública para defender o programa, que já alcança 217 cidades ofertando refeições a preços simbólicos. Deputados da oposição insinuam irregularidades e “arrumadinhos”, conforme declarou George Morais (foto), líder da oposição.
Pollyana foi para cima e declarou que a Assembleia quer ficar contra o esforço da Paraíba de matar a fome no estado. Independentemente do mérito do debate, o que está em cozimento no atual cenário é o clima mais favorável para a oposição, que é pequena diante da base governista, botar na mesa – inclusive na Mesa Diretora – as suas pautas.
E o governo tem que estar pronto para virar a mesa.