Quem imaginou que o governador Lucas Ribeiro (PP), reeleito no primeiro turno da eleição na Paraíba com uma votação histórica de quase um milhão e meio de votos, iria se omitir no segundo turno da eleição presidencial, viu hoje o filiado do Progressista discursar ao lado do presidente Lula para uma multidão em evento de campanha em Natal, capital do estado vizinho, conclamando o Nordeste a “não fugir da luta” em favor da reeleição do petista.
Durante a semana, já tinha dado o tom da sua posição ao reunir 14 partidos da sua base de Lula na Paraíba para definir um calendário de ações com o propósito de aumentar a votação do petista na Paraíba. Mas foi sob o forte sol de Natal, no evento deste sábado, que Lucas deixou claro que sua posição é mais do que apenas uma declaração formal de voto. É propósito político.
Seu discurso recebeu destaque na imprensa nacional. E virou referência para figuras com atuação fora da Paraíba. “Deveria ir para a propaganda eleitoral”, disparou nas redes sociais o ex-vice-presidente e ex-diretor do Corinthians, Roque Citadini, ao se referir ao discurso do governador paraibano. Segundo ele, em seu discurso, Lucas “sintetizou tudo em palavras que o Brasil todo deve ouvir”.
O que chama a atenção na defesa de Lucas é que ela é menos ideológica e mais prática. Foca nas parcerias e nos investimentos do governo Lula na Paraíba. E no Nordeste.
Em suas redes, Lucas também registrou vários vídeos do evento ao lado de Lula, sempre com palavras entusiastas. Uma postura de ocupação clara de espaço político. E um passo na construção de uma liderança regional.
Maquiavel já dizia que, numa disputa, é sempre um erro ficar em cima do muro. O vencedor vai esquecê-lo. O perdedor vai culpá-lo. Política, de fato, é uma atividade que exige, na maioria das vezes, definição de lado, de posição. Este é um momento deste.
Claro que o governador, que teve 64% dos votos válidos na Paraíba no último domingo, deve estar magoando eleitores bolsonaristas que votaram nele, ou admiram sua imagem e trabalho. É impossível numa polarização como esta fazer omeletes sem quebrar alguns ovos.
Mas, além de já estar reeleito, Lucas sabe que tem gordura para queimar. E deve fazer isto até o dia 25 de outubro. Para só depois, com o resultado em mãos, avaliar o saldo, desfrutando do bônus ou reconstruindo danos.
Por ora, Lucas deixa claro que seu L é de Lula sim. E, da forma pública que está, supõe que seus aliados na Paraíba façam o mesmo. Um chamado indireto, ou direto, para que integrantes do governo, especialmente secretários e funcionários em cargos não efetivos, façam o mesmo. Portanto, atenção! O bolsonarista que está com cargo dentro do governo Lucas hoje tem que se conter para não exagerar na sua paixão “verde amarelo”, e guardar a camisa da seleção brasileira para a Copa de 2030.
O governador já deu a seta. E a direção que ele aponta sugere dobrar à esquerda.