A tese do PT da Paraíba lançar uma candidatura ao governo nestas eleições não se sustenta em pé. E parece sugestão de bolsonarista que deseja atrapalhar, no estado, o desempenho de Lula em seu projeto de reeleição.
Vinda do ex-governador Ricardo Coutinho, se justifica muito mais pelo desejo do petista evitar subir no palanque de Lucas Ribeiro ( com João Azevedo ao lado) ou de Cícero Lucena do que como estratégia para fortalecer a legenda.
Tem, portanto, o dissabor individual como matéria prima. Não a lógica.
Porque, pela lógica, o presidente Lula, sem nome efetivamente competitivo para disputa na Paraíba, quer é ampliar suas alianças e apoios nos estados em favor daquilo que é – ou parece ser – prioridade para o PT no Brasil inteiro: a reeleição do presidente.
Especificamente, fechar aliança que garantir melhor espaço e tiver melhor perspectiva de retorno para Lula. Quiçá até dois palanques no lugar de apenas um, limitante, restritivo e tecnicamente pronto pra passar vergonha. Lula quer, portanto, gente trabalhando para ele. E não se esforçar para carregar alguém nas costas.
Ricardo sabe disso. Sabe, inclusive, que sua tese, além de não encontrar lógica no presente para Lula, não encontra estímulo sequer no passado. Nas eleições de 2024, em João Pessoa, por exemplo, o PT amargou um quarto lugar com apenas 11% dos votos válidos dados ao ex-prefeito Luciano Cartaxo.
A não ser que o PT esteja de olho numa vaga em qualquer uma das chapas posta e, neste sentido, passa a atirar na cabeça para acertar no braço, uma eventual candidatura própria do PT na Paraíba parece mais tese de que não quer que Lula prospere.