Todas as vezes que Pedro Cunha Lima concede uma entrevista ele revela o sentimento de desapego em relação à política. E, ao mesmo tempo, se percebe o quanto é necessário que ele permaneça praticando-a.
Porque o ex-deputado e presidente do PSD paraibano revela convicções e crenças que são muito importantes para construção da imagem de qualquer político. Não por menos, mesmo sem mandato, está desde 2022 entre os cabeças da lista dos principais players da Paraíba.
Por isso que a declaração que ele deu nesta quarta-feira de fogo na Arapuan FM confirmando que tem sim o sonho de ser prefeito de João Pessoa repercutiu tanto. É uma revelação que, apesar de retoricamente genérica, ficará ressoando no cenário político como um fantasma que arrasta assustadoramente correntes pelos corredores de uma casa numa noite escura.
Esse desejo, se concretizado, bate de frente com um projeto de reeleição que é “natural”. Ora, está óbvio que o vice-prefeito Léo Bezerra, ascendendo à condição de prefeito, espera que os aliados de hoje, desta eleição, estejam todos com ele em 2028. E não contra ele.
Mas a intenção revelada de Pedro, que demonstrou honestidade em dizer o que sente, vira uma assombração, sendo ela uma obsessão ou mero devaneio de um sonhador.
Pedro estaria apoiando Cícero Lucena para o governo já de olho em compensações em 2028? Houve acordo para isso? Ele seria capaz de mirar a cadeira de Léo Bezerra e querer ir para cima dela, independentemente do resultado de 2026? Todas essas perguntas podem ter a simples resposta de um não. Mas não terão como nao serem feitas a partir de agora.
É preciso saber até que ponto essa pedrinha colocada no meio do caminho dessa aliança Cícero e Pedro vai fazer com que Léo se retraia e passe também a andar com mais atenção aos passos que dá.
O fato é que a revelação de um sonho pessoal parece um vaticínio. De uma unidade que começou com prazo de rompimento.
Repito, pode tudo não passar de meras palavras, sem planejamento concreto. Mas somente elas bastam para aguçar os sentidos.