Em termos técnicos, a notícia é a representação do fato. Ela em si não é o acontecimento. É um desenho mais aproximado do que aconteceu. Somente o próprio fato, portanto, é realmente a verdade. A notícia deve se aproximar, mas não é a verdade completa e absoluta. No entanto, ela nos dá uma pista. E a que foi dada pelo site Metrópoles nesta terça, 6, a respeito da definição dos candidatos ao Senado a serem apoiados pelo presidente Lula, não é nada boa para o senador Veneziano Vital do Rego (MDB).
De acordo com a “notícia” do Metrópoles, um dos mais conceituados portais de notícias do Brasil, um documento do PT ao qual o site teve acesso aponta uma lista com nomes de candidatos ao Senado que receberiam o apoio de Lula e o nome de Veneziano não aparece. Na Paraíba, de acordo com a notícia, apenas o nome do governador João Azevedo (PSB).
A ausência, que gerou imediatamente repercussão na imprensa paraibana, de Veneziano pressupõe a presença de um terceiro nome entre as possibilidades de Lula na Paraíba, o de Nabor Wanderley (Republicanos), pai de ninguém menos que o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta. Seria possível que depois de tantas fotografias e até posições em favor de Lula o senador estaria fora do radar do petista? Uma dúvida que beneficia diretamente Nabor.
Somente gerar a dúvida já seria uma vitória para o prefeito de Patos, visto que até bem pouco tempo, diante dos entraves de Hugo com o Planalto em 2025, nem se imaginaria que o prefeito de Patos pudesse chegar nem perto de receber um sorriso que fosse de Lula. O ano de 2026 começou, no entanto, com Hugo adotando posturas mais à esquerda, mais alinhado em defender as pautas do governo federal. A criação do Instituto do Sertão e a nomeação
de Gustavo Feliciano como ministro do Turismo, ambos a pedido de Hugo, sinalizaram que o movimento surtira efeito. Depois de que Nabor e Hugo aparecem sorridentes numa foto com Lula, o senador Veneziano Vital do Rego teve que responder com outras fotos e declarações de que o presidente Lula está firme com o cabeludo.
É bem verdade que, nesta disputa, as peças são altas. O presidente Lula fica entre o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rego Filho, irmão de Veneziano, e do presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, pai de Nabor.
Até então, no entanto, Veneziano jogava sozinho, enquanto Hugo afundava e emergia em discussões com petistas e bolsonaristas.
Após a mudança de rumo, o cenário mudou. E eis que aparece a notícia do Metrópoles.
E, se não for verdade, Veneziano tem que correr para desfazer a representação eventualmente equivocada do fato.
Caso contrário, Nabor poderá avançar muito só na base do “será?”. Uma vez que para ele, que começou o jogo perdendo de goleada, empatar já é vitória.