Incompreendido alternadamente pelos dois lados simplesmente por tentar se esquivar do radicalismo da polarização, Hugo Motta encontrou uma brecha no recreio da agenda infantil da Câmara dos Deputados para falar de coisa séria.
Em meio a histeria de deputados, emplacou uma pauta séria e de interesse coletivo, algo muito raro na dinâmica atual do Congresso. O debate sobre a exposição sexual de crianças e adolescente nas redes sociais é assunto pra gente grande debater sim.
E, antes que a gente precise votar em Felca como deputado federal na próxima eleição, devemos esperar que os adultos (?) de hoje lá no Congresso possam tratar desse tema com a importância –e a seriedade – que ele merece.
Não é possível que continuemos aceitando tranquilamente que plataformas digitais sejam espaços livres – e financeiramente estimulantes – para produção de conteúdo criminoso para o deleite de pedófilos, a expansão de tráfico humano, comercialização de produtos ilícitos, entre outros absurdos viralizantes.
Está mais do que comprovado que para as big techs tudo aquilo que se movimenta na internet gera dinheiro, independentemente da natureza ou dos efeitos deletérios dessa movimentação.
Aliás, sob o discurso de censura, as plataformas sustentam todas essas práticas evitando uma discussão mais rigorosa sobre o tema. E tem gente que embarca nisso como se fosse uma criança acreditando em Papai Noel.
Hugo encontrou, portanto, um alívio às pressões “infantis” que vinha recebendo para pautar debates que só dialogam com o interesse de cada um dos dois lados em permanente embate neste Brasil. E o país uma esperança de confrontar estes excessos.
Com maturidade, puxou o tema para si, criando um grupo de trabalho para discutir um instrumento legal que amenize as causas e efeitos dessa exposição imoderada de crianças nas redes. Se conseguir, será um marco na sua gestão frente à presidência da Câmara dos Deputados.
Algo que pode fazer com que ele mesmo cresça na condução do cargo que ocupa.