Cícero não falta a Cícero

Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitado e ganho quatro mil cruzeiros por mês.

É assim que o memorável Raul Seixas começa Ouro de Tolo, um símbolo de resistência à ditadura militar, ao retratar a infelicidade de alguém que deveria se contentar com o que tem, mas que tem uma porção de coisa para conquistar e, por causa disso, não pode ficar aí parado.

A propósito, deveria ter sido essa a música a ser tocada na coletiva que Cícero Lucena deu nesta quarta, 2, confirmando sua candidatura ao governo, tendo que, para isso, abrir mão de quase três da prefeitura mais cobiçada da Paraíba, e até ouvindo pareceres contrários de gente da própria família.

Cícero vê a sombra sonora de um disco voador. Mas sua coragem não está tão somente na renúncia. Está no fato de que ele não pode assegurar que os que estão com ele estarão integralmente engajados neste projeto, onde, para começar, só ele tem perdas. E mesmo assim o fez.

Os primeiros sinais não foram bons. Ele sai da prefeitura com dois nãos vindos de que resistiram ser vice, o de Romero Rodrigues e o de Pedro Cunha Lima. Não que tivessem obrigação de ser. Mas não é não, e dói em qualquer circunstância.

Cícero deixou claro que tá atrás é de comprometimento e não apenas de gente para tirar foto por trás de uma mesa e na frente de uma bandeira.

Por isso que o próprio Cícero subiu o tom internamente para tentar arrumar a casa. Se é ele que vai deixar o emprego para ir para fila do Sine eleitoral que os seus estejam pronto para ajudá-lo efetivamente na conquista da outra vaga. E isso não se faz apenas desejando “boa sorte”, como fez Romero. Mas também revelando o mínimo de sacrifício.

O fato é que, independentemente do ideal, Cícero tomou a decisão de ir para disputa. Não está sozinho. Tem gente com ele. Tem recall. É bom de contato pessoal.

E tem, principalmente, fé, porque deu um passo sem ter claramente a garantia do terreno que pisa.

Mas o faz com uma certeza demonstrada que ele mesmo não faltará a si. E, para muitos, esse é o primeiro passo para iniciar qualquer caminhada.

 

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