O primeiro diagnóstico sobre o novo ministro da Saúde

Boa parte do Brasil se afeiçoou à figura equilibrada e segura do ex-ministro Mandetta durante essa pandemia do Corona Vírus.

Como se víssemos nele o autocontrole e o domínio do assunto que gostaríamos de ver no próprio presidente da República.

Mas isso é passado.

É óbvio que não se pode compreender como um ministro de Saúde que estava à frente de ações na pasta aprovadas pela

maioria dos brasileiros, que não dourava pílulas, mas que conduzia o “tratamento” com foco em resultados, pode ser trocado em meio a uma guerra séria e grave sim de saúde no Brasil e no mundo.

Uma interrupção brusca arriscada diante de uma doença que debocha da tibieza do conhecimento científico sobre ela.

Mas também já não era mais eficiente manter o cenário atual em que ministro e presidente pareciam mais dois candidatos
ao mesmo cargo numa eleição do que parceiros numa guerra.

Bolsonaro precisava de alguém que chegasse do zero. De um “iniciante”. Para poder voltar a ser o chefe novamente.

Ele não tinha necessidade de trocar Mandetta, mas já que colocou isso na cabeça, seja por ciúmes, seja por divergência de posições, seja por ter sido desrespeitado, tinha que trocar sim.

Porque o Brasil não iria conseguir mais prosperar diante de um quadro de completo descompasso entre o presidente
da República, o chefe, e o ministro da Saúde, o assessor.

Um dizendo uma coisa, outro dizendo outra. Impossível de influenciar num direcionamento do comportamento da população.

Impossível atingir metas com o nível de desarmonia. Diante do quadro, foi melhor trocar sim.

É como quem sugere amputação de um membro atingido por uma grangrena de uma ferida mal tratada. Não deveria chegar a isso, mas se chegou, tira.

A partir daí, chegamos à figura do novo ministro da Saúde, o Nelson Teich.

Da qualificação do “cara”, desculpem-me, mas nem a Globo pode falar mal.

Quanto às perspectivas como agente público no meio desta história toda, pode ser que ele se revele diferente no futuro, mas o que se viu nas primeiras entrevistas e pronunciamentos do novo ministro foi um profissional médico de postura cautelosa, sem arroubos, inclusive, com defesa retórica em favor de dados científicos.

Embora tenha a admitido sim, não fez do fim do isolamento social uma bandeira ideológica indiscutível como muitos estão fazendo.

Claro que isso num primeiro diagnóstico, tomado diante de uma figura que, ao entrar, (ainda) está pequeno, frágil, talvez
assustado com o tamanho da missão que tem em sua frente, o Covid, e ao seu lado, o próprio chefe.

De qualquer forma, o ministro Teich se apresentou muito diferente do monstro que tirava o sono do brasileiro que tinha
pesadelos com a possibilidade do substituto de Mandetta ser uma figura desgovernada, pronta para discursar como o Capitão, bradando “achismos” e posições ideológicas a todo momento.

Ao menos, neste primeiro momento, Teich se conteve. E isso foi um tranquilizante para dormirmos bem à primeira noite de sua chegada.

Não há teste rápido, no entanto, para saber se ele se manterá nesse ritmo.

Mas não adianta ficar remoendo cadê o Mandetta, suspirando pelo que já foi. Até os funcionários da OMS sabem que ele
foi boicotado pelo próprio chefe. Reconheçamos sua contribuição ao Brasil e bola pra frente.

É hora de avançar no combate à pandemia. E torcer pelo bom desempenho do substituto.

Apostar no debate político rasteiro para ficar boicotando o trabalho do novo ministro é tudo que o Covid19 quer.

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