O discurso do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, nesta quarta, do alto da tribuna da Casa que comanda com maestria há anos, me fez lembrar da genial obra de Garcia Marquez chamada Ninguém escreve ao Coronel, que conta a história de um oficial que espera por 15 anos uma carta com a garantia de sua pensão. Talvez porque a obra e o discurso são uma fotografia comovente do isolamento e do abandono. Quanto ao coronel, da instituição que servia. Quanto a Galdino, da classe política.
Ao reconhecer – com outras palavras – que o governo o deixou, que Hugo Motta não tá nem aí e que o PT da Paraíba foi insensível este tempo todo aos seus oferecimentos pessoais, Galdino se excedeu na humildade e passou um recibo de isolamento que só se antevê naqueles que estão esperando pensão por invalidez.
De fato, dentro da base governista, ninguém estava revelando muito preocupação se Galdino ficaria ou sairia. Na verdade, publicamente, ninguém sequer fala sobre Galdino. Entre os petistas, muitos elogios, mas apenas uma declaração de apoio que foi a do vereador Marcos Henriques. Do restante, silêncio e desconversas, incluindo de Gleisi Hoffmman.
Mas daí para ele mesmo fazer isso diante de sua plateia mais fidedigna foi um ato de muita autocomiseração. E Galdino tem até mais poder do que aquele que subiu hoje à tribuna para dizer que “sairia do Republicanos se Lula o convidasse para o PT”. Como assim? Nem o coronel de Garcia Marquez se ofereceu tanto ! Ora, e se Lula não convidar e Galdino tiver que sair de qualquer jeito do Republicanos. Ou até mesmo ficar. Vai ficar só o oferecimento.
Galdino tem tamanho. E é importante para qualquer agrupamento político. Mas sua postura de considerar-se autossuficiente o levou a subir sozinho na tribuna hoje.