Guerra da saúde entre governo e PMJP expõe o que população já sabe

Na vida e na política, muitas vezes, as verdades verdadeiras só aparecem quando há um conflito. Um rompimento entre as partes. Aí, aquilo que se escondia ou se perdoava, se revela aos olhos do mundo.

Isso vai desde um fim da relação entre marido e mulher ao caso, por exemplo, das guerras travadas entre a prefeitura de João Pessoa e o governo do Estado após rompimento político entre o governador João Azevedo e o prefeito Cícero Lucena. Enquanto aliados, estava ( se fazia parecer) estava tudo bem, e ambos agiam de forma a esconder os defeitos alheios.

Relação quebrada, como eu disse, as verdades, de fato e da cada um, passam a aparecer. Foi assim com a questão do esgoto derramado nas praias de João Pessoa, com a prefeitura jogando para Cagepa e o governo enfatizando que galeria pluvial é responsabilidade “constitucional” da prefeitura. Agora, a discórdia da vez é área da saúde. Muito mais complexa e muita mais sensível.

O secretário de Saúde de João Pessoa, Luís Ferreira, apontou o fim da parceria com o governo como causa da sobrecarga na rede de saúde municipal. O secretário de Saúde do Estado, Ari Reis, rebateu alegando que o governo sempre bancou e continua bancando a saúde de João Pessoa. E foi além ao indicar dados, oriundos do Previne Brasil, que colocariam a rede pública municipal de saúde da capital paraibana como a segunda pior do Estado, perdendo apenas para Bayeux. Lembrou que são os hospitais da rede estadual, a exemplo do Trauma de João Pessoa e o Metropolitano de Santa Rita. E ainda expôs uma dívida da PMJP com o governo de R$ 19 milhões. O secretário Luís Ferreira já disse estar pronto para tréplica. E, certamente, esse assunto vai estar na pauta da campanha.

A grande ironia disso tudo é que, enquanto prefeitura e governo travam esta guerra de narrativas e dados, a população , especialmente a mais carente, que procura os serviços de saúde é quem mais sabe qual a verdade verdadeira da situação. Na verdade, para ser repetitivo, é quem já sabe daquilo que, enquanto aliados, nenhuma das partes revelava, porque vive o dia a dia da necessidade de procurar um atendimento médico, esperar por uma consulta especializada, um exame, uma cirurgia, um medicamento.

Sabia – e sabe – dessas dificuldades agora expostas antes mesmo de qualquer rompimento. Porque vive em constante guerra pela sobrevivência mesmo em tempos de paz na política.

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