A segunda derrota

Os eleitores bolsonaristas, em especial os que tem brincado de soldadinho de chumbo na frente dos quartéis, apostaram todas as fichas no relatório das Forças Armadas sobre o resultado das eleições para legitimar suas frustrações com a derrota de Bolsonaro. Amargaram, no entanto, após a divulgação, uma nova frustração, num sentimento parecido ao vivenciado na noite do dia 30 de outubro, pós apuração.

Em 63 páginas, as Forças Armadas não disseram em linha alguma que houve fraude na totalização dos votos. E atestaram claramente, no relatório entregue pelo General Paulo Sérgio, Ministro da Defesa, que “a verificação da correção da contabilização dos votos, por meio da comparação dos Boletins de Urnas (BUs) impressos com dados disponibilizados pelo TSE, ocorreu sem apresentar inconformidade”. Ou, traduzindo em miúdos, que a quantidade de votos de Lula foi superior a de Bolsonaro.

É claro que os resistentes vão manter-se a postos atendo-se às recomendações que o Ministério da Defesa fez no relatório sobre mais segurança nas urnas e indicações de que as eventuais fragilidades podem gerar esse ou aquilo risco – concessões para quem precisa, já que, no mundo da pós verdade, onde só aceita aquilo que se deseja, nem precisa de instituição alguma para dizer isso ou aquilo. Basta crer e pronto.

O fato, entretanto, é que, em momento algum, as Forças Armadas disseram claramente “houve fraude”, e isso seria uma bomba atômica nas mãos dos manifestantes, nem pediram novas eleições. E só isso basta para que a contestação acerca dos resultados continuem subsistindo apenas no mundo da fantasia, não da realidade.

Tanto ficará apenas no mundo da fantasia que o presidente Jair Bolsonaro manterá a mesma posição que adotou desde o domingo das eleições, ao abandonar a tropa ao relento e recolher-se no aconchego das paredes do Palácio do Alvorada sem dar sinais de resistência. Bolsonaro, que seria o maior prejudicado numa fraude eleitoral, não entrou com instrumento legal algum contestando a eleição. Nem entrará. Até o PL, seu partido, inclusive, foi além e, numa reunião, decidiu, antes mesmo da divulgação do relatório, que seria oposição ao governo Lula. Ou seja, legitimando que Lula será o governo.

O relatório das Forças Armadas, por mais pirulitos que tenha dado aos aquartelados eleitorais, não estimulará o presidente a mudar de posição.

O “exército da ilusão”, portanto, já havia perdido o apoio do Capitão. Agora perde do general.

E será obrigado a marchar estimulado tão somente pela própria fantasia que criou como mecanismo de defesa das frustrações que não consegue superar.

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