A missão de Nilvan e a verdadeira lógica por trás do exclusivismo

Imagine que você é candidato ao governo do Estado ou ao Senado Federal numa chapa majoritária. Líderes, partidos e outros conglomerados políticos, que tem o mesmo pensamento e trajetória parecida com a que você possui, querem se agregar à chapa para ajudá-lo a vencer o grupo adversário. E você simplesmente diz “Não”.  E complementa que só aceita essa união se todos votarem no teu candidato a presidente da República.

Cabe essa lógica em algum cenário da política?

Cabendo ou não, foi este o posicionamento que, claramente, o presidente do PTB da Paraíba, apresentador Nilvan Ferreira, adotou quando analisou a proposta do deputado federal tucano, Ruy Carneiro, sugerindo um palanque apenas com todas as forças da oposição na Paraíba, aberto para as diversas candidaturas presenciais.

Para Nilvan, só vale se forem todos Bolsonaro.

A tese só se sustentaria na lógica em que Nilvan tivesse interesse apenas em possíveis candidaturas proporcionais – estadual ou federal – e na eleição presidencial, tratando a disputa majoritária em segundo plano.

Mas é um desastre para o agrupamento oposicionista na disputa pelo comando administrativo e político do Estado, porque divide, limita, reduz, enfraquece a base oposicionista, fazendo o governador João Azevedo agradecer o gesto do adversário.

Informações de bastidores que chegam ao blog, no entanto, apontam que a lógica de Nilvan não é fruto de uma estratégia política pessoal, visto que o próprio, experiente analista política em razão de décadas de cobertura das eleições no exercício radiofônico, saberia que a unidade de forças neste momento seria benéfica na disputa estadual, sem comprometer eventual candidatura proporcional que viesse a alimentar.  Trata-se apenas cumprimento de acordo.

Isso mesmo, o Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, deixou claro que para assegurar o comando do partido, retirando-o das mãos dos Wilson (Santiago), o novo presidente teria que adotar postura integralmente fiel ao projeto de reeleição de Bolsonaro, sem deixar brechas para outras vias ou opositores. Isso seria a condição inegociável.

Nilvan está cumprindo. Por isso, disse o que disse. E não vai mudar. Até segunda ordem.

O que deve tornar a composição do palanque oposicionista mais difícil neste primeiro momento.

 

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