A lista anti Rosas e a profecia de Hervázio Bezerra sobre a confiança em Carlos Siqueira

O deputado estadual Hervázio Bezerra é um político com larga experiência. Inclusive em rachas. Foi graduado no rompimento do PMDB entre maranhistas e ronaldistas. E, entre outras, está agora nesta disputa interna do PSB.
Há algumas semanas fez uma profecia que aos interlocutores deixou a dúvida sobre se seria apenas intuição política ou excesso de informação. “Não disputaremos o comando do PSB no voto. Ninguém confia mais em Carlos Siqueira (presidente nacional do PSB)”, declarou.
Como assim, Hervázio, ninguém confia mais no presidente nacional da legenda?
Com a divulgação da lista que resultou na dissolução do diretório estadual do partido e a consequente derrubada de Rosas, a profecia de Hervázio se materializou. A lista apresenta inconsistências que precisam de contra argumentos de defesa. E que, neste sentido, obrigaria Carlos Siqueira a desfazer o ato anterior, a não ser que queira continuar com a pecha que Hervázio o imputou.

O advogado Flávio Moreira, secretário geral do partido, autor do requerimento para ter acesso aos nomes, aponta que a lista não traz número suficiente de titulares e suplentes para atingir os 50% exigidos pelo Estatuto do PSB no caso de dissoluções.

Ele mostra documentos em que o prefeito Chico Mendes pede a retirada de sua assinatura no dia 16 de agosto, dia da dissolução do diretório estadual, pois disse que não sabia o motivo pelo qual havia assinado. Segundo ele, os suplentes Denise Albuquerque, ex-primeira-dama de Cajazeiras, e José Paulo Filho, também pediram a retirada sob a mesma alegação, a primeira no dia 16 de agosto e o segundo um dia antes.

Ao que parece, esses ofícios foram ignorados pela Direção Nacional quando da reunião do dia 9 de setembro que instituiu a Comissão Provisória.

Além disso, ele aponta impossibilidade na assinatura da deputada Estela Bezerra como diretoriana uma vez que sendo vice-presidente do PSB de João Pessoa não poderia.

Há o caso ainda, segundo ele, de Luciane Coutinho, hoje presidente da Espep, que, segundo Flávio, não é integrante do Diretório, e, portanto, não poderia assinar a lista.

Assim, ficariam derrubados cinco nomes usados para dissolução, e a contagem para o número mínimo não seria atingida.

A bola volta para decisão de Siqueira. Que poderia alegar que foi induzido ao erro pois não teria condições, em sendo presidente nacional, ter domínio sobre a legitimidade de todas as assinaturas. E desfazer o ato da dissolução.
Em não fazendo, terá que reunir argumentos para sustentar a dissolução com base numa lista que, por enquanto, sofre suspeição de todos os lados.

O advogado Flávio Moreira já disse que encaminhará resposta à Direção Nacional, apontando que trata-se de uma “fraude”.

Algo que fortalece o argumento da parte do grupo do governador João Azevedo de que houve uma desnecessária, e agora inconsistente, violência na destituição de Edvaldo Rosas, atual secretário chefe de Governo, da presidência do partido.

Siqueira tem agora nas mãos a capacidade de desfazer a profecia de Hervázio. Seja provando o contrário. Seja desfazendo o ato.

Ou, naturalmente, assumi-la.

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