A disputa entre a caneta e a língua, entre o real e o abstrato

Vista isoladamente, a primeira pesquisa Datafolha dentro da campanha eleitoral seria motivo de grande festa para o grupo de Lula, que aparece liderando com 47% dos votos, 15 a mais que Bolsonaro, com rejeição bem menor e ainda com chances de vencer no primeiro turno.

Seria se não houvesse outras edições da mesma Datafolha apontando que o presidente, nesta primeira edição dentro da campanha, aumentou percentual de voto e reduziu rejeição em relação às demais. Mesmo que numa escala ainda lenta, Bolsonaro vê diante de si uma curva ascendente.

Resultado, naturalmente, do pacotão de ações positivas adotadas pelo presidente, tais como redução do preço dos combustíveis, da energia elétrica, vitaminada no Auxílio Brasil, no vale gás, e concessão de pagamentos a caminhoneiros, taxistas e por aí vai.  Aliás, este é o principal motivo para a festa petista não rolar diante dos números da Datafolha.

Nesta disputa polarizada, em que o ódio entre um e o outro parece ser o tom da campanha, Bolsonaro leva a vantagem porque tem a caneta presidencial para amenizar rejeições. E o lulismo sabe disso. Sente isso. Claro que o bolsonarismo ainda se beneficia procurando acentuar a rejeição do petista gerando fakenews do naipe da que supõe fechamento das igrejas, algo absurdo de se dizer, diga-se de passagem. Mas o que conta mesmo é freio no buraco da inflação e falta de dinheiro do povo.

Resumindo: Lula não pode fazer o bem agora. Bolsonaro pode. E, certamente, deve intensificar o pacote de bondades porque viu que eles são eficientes. Ajudará também se conter o pacote de mancadas, como a ameaça as instituições, que acabam gerando uma força, até então neutra, contra si próprio.

A corrida, portanto, é contra o tempo. A grande pergunta é se os efeitos da caneta de Bolsonaro vão chegar em tempo de complicar a vida de Lula, que se mantém rigorosamente solidificado em seus patamares, até o dia 2 de outubro.

De seu lado, se não tem a caneta, Lula tem a língua. Pode prometer. E é o que deve acontecer doravante. O petista deve intensificar um discurso, mesmo que pendendo para o demagógico, que dê a ele a capacidade de também assegurar a sua linha uma curva de ascensão. Especialmente porque ele vai precisar dela num eventual segundo turno. Destaque-se que o Guia Eleitoral no rádio e na TV começará, dando a Lula quase quatro minutos de tempo e dando dois minutos e trinta e oito segundos para Bolsonaro.

Estamos, portanto, na luta entre a caneta e a palavra, onde Bolsonaro deseja prorrogação e Lula quer logo o fim do jogo.

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